IGF diz que “há efetivamente uma renúncia” de Alexandra Reis “um pouco encapotada”

O inspetor-geral de Finanças admitiu hoje que houve uma renúncia de Alexandra Reis ao cargo de administradora da TAP, embora “um pouco encapotada”, o que não daria lugar a indemnização.

IGF diz que “há efetivamente uma renúncia” de Alexandra Reis “um pouco encapotada”
Alexandra Reis

“Para todos, os efeitos há aqui uma renúncia que, no fundo, aparece aqui um pouco encapotada, mas é isso que acontece. […] De facto há uma renúncia”, afirmou o inspetor-geral de Finanças, António Ferreira dos Santos, na comissão parlamentar de inquérito da TAP.

O responsável da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) explicou, na segundo ronda em resposta às perguntas de todos os partidos, que a primeira informação é que há uma renúncia de Alexandra Reis e, “se é renúncia, o processo está acabado”, não havendo lugar à indemnização que recebeu.

Quanto à obrigação do administrador financeiro informar sobre o acionista sobre uma demissão, o inspetor-geral sentiu necessidade de clarificar afirmações anteriores, dizendo que a legislação não explicita, no âmbito do estatuto do gestor público, um especial responsável por essa comunicação.

“A declaração do CFO [administrador financeiro] é efetivamente não ter conhecimento da indemnização”, realçou o inspetor-geral.

António Ferreira dos Santos adiantou também que, durante a auditoria da IGF, perguntaram a Alexandra Reis e ao presidente do Conselho de Administração, Manuel Beja, se se sentiam gestores públicos.

“A resposta não foi surpreendente: aquilo era gerido se como de uma empresa privada se tratasse”, afirmou o inspetor-geral.

Já a diretora da IGF, Carla Reis Santos, considerou “um bocadinho estranho” que uma presidente executiva não conheça os estatutos da empresa que está a gerir, “seja ela de que nacionalidade for”.

O Governo anunciou a exoneração da presidente executiva da companhia aére, Christine Ourmières-Widener,a e do presidente do Conselho de Administração, Manuel Beja, em 06 de março, depois de anunciados os resultados de uma auditoria da (IGF), que concluiu que o acordo para a saída de Alexandra Reis é nulo e grande parte da indemnização de perto de meio de milhão de euros terá de ser devolvida.

A polémica começou no final de dezembro, altura em que o Correio da Manhã noticiou que a então secretária de Estado do Tesouro tinha recebido uma indemnização de cerca de 500.000 euros para sair dois anos antes do previsto da administração da empresa.

O processo foi negociado ao abrigo do código das sociedades comerciais, quando a TAP está abrangida pelo estatuto do gestor público.

O caso motivou uma remodelação no Governo, incluindo a saída do ex-ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.

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