Idan Ofer. Magnata israelita pôs o Famalicão à frente da Liga

Desafiado por Jorge Mendes a investir no futebol nacional, o acionista do Atlético Madrid comprou a sociedade anónima desportiva do Famalicão, apostou na subida de divisão e, concretizado esse passo, encheu o plantel com jovens emprestados por gigantes europeus ligados ao superagente. Chega à quarta jornada da Liga NOS empatado com o Sporting na liderança.

Idan Ofer. Magnata israelita pôs o Famalicão à frente da Liga
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Longe vão os tempos em que Idan Ofer assistia a vitórias tão esforçadas do Famalicão como aquela que valeu preciosos três pontos frente aoSporting da Covilhã, conseguidos já em tempo de descontos, encaminhando a equipa de futebol minhota para o objetivo que o magnata israelita estabeleceu em novembro de 2018, numa entrevista ao “Record”: “Queremos subir à 1.ª Liga já esta temporada.” Alcançada a primeira meta, com o Famalicão a ficar atrás do campeão Paços de Ferreira mas com 15 pontos de vantagem sobre o Estoril-Praia, terceiro classificado da segunda divisão do futebol nacional, o clube não só voltou a competir com os “grandes” como nesta tarde de sábado vai visitar o Desportivo das Aves encontrando-se na liderança da Liga NOS, em igualdade pontual com o Sporting e com um ponto de vantagem sobre o Benfica e o FC Porto.

Havendo quem antecipe, meio a sério e meio a brincar, que o hino da Liga dos Campeões soará na próxima temporada no Estádio Municipal 22 de Junho, dotado de pouco mais de cinco mil lugares nas bancadas, inegável é que até agora está a render a aposta no futebol português de um dos homens mais ricos de Israel, com negócios na prospeção petrolífera e na extração mineira, sendo ainda armador de petroleiros e empreendedor no segmento dos carros elétricos, com uma fortuna pessoal avaliada pela revista “Forbes” em 4,6 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros), em parte devido a tudo aquilo que herdou do pai, numas partilhas assaz invulgares.

Aquando da morte de Sammy Ofer, em 2011, Idan e o irmão mais velho, Eyal, procederam ao sorteio de dois lotes com centenas de petroleiros e outros tipos de embarcações. Cada um deles retirou um envelope de um chapéu, enquanto a mãe assistia ao ritual. “Foi pacífico e sem drama”, relatou o atual proprietário da SAD do Famalicão à Bloomberg, explicando que um método idêntico permitiu a divisão da coleção de arte daquele que era o homem mais rico de Israel, incluindo obras de Pablo Picasso e de Van Gogh.

Foi através do Quantum Pacific Group que Idan Ofer comprou 51% da sociedade anónima desportiva (SAD) do Famalicão, em junho de 2018, num negócio que contou com a intermediação de Jorge Mendes, o português conhecido por “superagente” que concentra os maiores negócios do futebol mundial. Nessa altura deu-se a contratação de Miguel Ribeiro, até então diretor-geral do Rio Ave, que meses mais tarde, em entrevista à Renascença, esclareceu os motivos do interesse do magnata israelita. “Entre os clubes apetecíveis e passíveis de serem adquiridos, o Famalicão estava no topo da lista. Era uma SAD recente, limpa e o investidor tinha que investir do chão para cima e não tinha de tapar o buraco até chegar ao chão”, disse o responsável pela gestão do futebol profissional, sem esconder a relação próxima com a Gestifute de Jorge Mendes e o facto de Ofer ter em conta que Portugal “tem os melhores treinadores, os melhores jogadores, os melhores dirigentes e os melhores árbitros”.

Aquando do jogo que confirmou a subida à Liga NOS, a três jornadas do final do campeonato, o israelita prometeu que iria formar um plantel que, mais do que a manutenção, tivesse a ambição de chegar às competições da UEFA. “Queremos ir longe. O clube quer fazer uma grande época. E claro que asseguro o investimento”, garantiu Idan Ofer, estando igualmente previsto um plano de remodelação do estádio, entretanto dotado com novos campos de treino.
No plantel agora orientado por João Pedro Sousa (que chegou a ser adjunto de Marco Silva no Sporting), além de futebolistas com experiência do futebol português, como o guarda-redes brasileiro Defendi, o lateral brasileiro Lionn e o extremo português Fábio Martins (ligado ao Sporting de Braga), destacam-se jovens cedidos por empréstimo por grandes clubes espanhóis, como Atlético Madrid (Pérez, Gustavo Assunção e Nico Schiappacasse) e Valência (Centelles e Racic), bem como outros provenientes de clubes ingleses com que Mendes costuma fazer negócios, como o West Ham e o Nottingham Forest.

Entusiasmado com Félix
Dito isto, o israelita conhece muito bem outro clube que decerto não concordará que os melhores jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros se encontram neste extremo da Península Ibérica, visto que a Quantum Pacific também detém 32% do capital da SAD do Atlético Madrid. E Idan Ofer estará longe de ser um parceiro silencioso, pelo menos a acreditar naquilo que o comentador desportivo Rui Santos disse em julho, aquando da contratação do avançado benfiquista João Félix pelo clube madrileno. Ainda estupefato com os 126 milhões de euros gastos pelos espanhóis no passe do futebolista de 19 anos, referindo-se à entrada do milionário israelita no capital do Atlético Madrid, Rui Santos disse, no seu programa “Tempo Extra”, da SIC Notícias, que “pouca gente saberá que foi este sócio minoritário que se entusiasmou muito com esta operação e a avalizou do ponto de vista financeiro”.
“Deu muito jeito que aparecesse alguém a promover e a projetar a consumação desta operação”, acrescentou então Rui Santos.

 

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