Miri Marciano, especialista de cibersegurança da Boston Consulting Group (BCG) e diretora associada da consultora em Telavive, deu uma entrevista exclusiva ao Jornal Económico (JE) aquando da sua última visita a Lisboa, a 29 de março. A antiga oficial de Tecnologia e Cibernética nas Forças de Defesa de Israel, para onde trabalhou durante mais de duas décadas, diz ao JE que há casos de ataques informáticos em que “não se consegue entender logo qual é a motivação está por trás. “Pensa-se que é financeira, porque pedem dinheiro, mas por trás está o apoio de uma nação”, alerta.
Escreveu um artigo com previsões de cibersegurança para este ano. Porque é que acha que o ransomware continuará, novamente, em primeiro?
Porque é a maneira mais fácil de ganhar dinheiro. Tornou-se muito simples ativá-lo, dado que existem muitas vulnerabilidades nas organizações que os criminosos podem utilizar. Eles são criminosos bem preparados. Já não é apenas hacking nalgum lugar, alguém sozinho ou um grupo de geeks. Nada disso. Na verdade, são empresas bem estabelecidas, com I&D [Investigação e Desenvolvimento], que criam ferramentas, têm as suas finanças e um plano de trabalho e estão, cada vez mais, a ganhar conhecimentos para entender que tipo de organizações lhes pode ser relevante e gerar receita.
Como é que começam o ataque?
Fazem um exercício de dentro para fora para entender a partir de onde é que podem entrar [na rede de uma empresa]. Dizem algo do género: “Ok, esta organização é muito fraca nos controlos de prevenção. Então, talvez possamos começar com uma campanha de phishing”, para os trabalhadores entrarem nos links. A maneira mais fácil é começar com o fator humano. É engenharia social.
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