As exportações moçambicanas de gás continuam a reforçar a liderança, com um crescimento de 2% de janeiro a setembro de 2025, ultrapassando os 1.495 milhões de dólares (1.290 milhões de euros), segundo dados oficiais.
De acordo com dados de um relatório do Banco de Moçambique detalhando as exportações, as vendas de gás natural ao exterior até ao final do terceiro trimestre do ano passado comparam com os quase 1.467 milhões de dólares (1.265 milhões de euros) no mesmos nove meses de 2024.
O desempenho, refere-se, foi impulsionada “tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”.
O gás natural continua a consolidar a liderança como produto mais exportado por Moçambique, posição que até meados de 2025 era ocupada pelo carvão, que por sua vez recuou para 1.205 milhões de dólares (1.040 milhões de euros), contra 1.540 milhões de dólares (1.329 milhões de euros) nos primeiros nove meses de 2024.
“A queda anual das receitas de exportação desta mercadoria foi de 335 milhões de dólares, explicada por paralisações na produção do carvão metalúrgico por parte de algumas empresas do setor e uma variação negativa de 13,1 % no preço médio deste produto no mercado internacional”, justifica ainda o documento.
Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.
O projeto Coral Sul, da Eni, é o único em operação, desde 2022, tendo sido aprovado em outubro passado o investimento numa segunda plataforma flutuante para extração, designada por Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), que a partir de 2028 vai permitir duplicar a produção para 7 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás natural liquefeito.
Após quatro anos de suspensão devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, o projeto da Mozambique LNG (Área 1), operado pela TotalEnergies, de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), retomou oficialmente em janeiro último e prevê até 13 mtpa a partir de 2029, seguindo-se o projeto Rovuma LNG (Área 4), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros), operado pela ExxonMobil, com 18 mtpa previstos após 2030, e cuja decisão final de investimento é esperada para este ano.