O Grupo Garland faturou 120 milhões de euros em 2018, o que representou um crescimento de 4,9% em comparação com o período homólogo e de 17,2% face a 2016. A média de crescimento do volume de negócios desta empresa nacional de logística nos últimos dois anos de 5,5%, sendo de destacar que a Garland conseguiu uma subida de de 20,1% no segmento da logística face a 2017. Além disso, a empresa protagonizou crescimentos em todas as áreas do seu core business, nomeadamente nos setores de transportes, logística e navegação.
Em entrevista ao Jornal Económico, Bruce Dawson, presidente do Grupo Garland Portugal, destaca que “temos tido uma evolução muito grande da logística para clientes terceiros ao nível da distribuição nacional”. “A nossa evolução positiva mais recente tem ocorrido no âmbito do e-commerce, que eu tenho a certeza que vai ser um setor que vai evoluir muito no futuro. Na Garland, esse segmento, nos últimos dois anos, cresceu 100%, quer em volume de negócios, quer em número de clientes, onde ganhámos cerca de uma dezena de novos clientes. É um setor muitíssimo importante, para nós e para o futuro da nossa atividade. O sector de compras online em Portugal só tem de crescer”, defende Bruce Dawson.
A Garland é uma das mais antigas e maiores empresas portuguesas de logística, que atua em três setores fundamentais: navegação, transitários (transportes ou transport solutions) e logística. A empresa conta atualmente com cerca de 400 empregados, mas está a recrutar para chegar aos 420 colaboradores, em especial para a área de armazenagem e distribuição.
“O nosso objetivo é estar em todas as áreas de operação logística nacional, desde os transportes à distribuição. Na logística, a área mais recente, a empresa tem tido a evolução maior. Desde 1994, 1995, quando começámos com a operação neste segmento, até hoje, mais de 20 anos depois, estamos muito mais desenvolvidos. Neste momento, temos cerca de 85 mil metros quadrados de área de armazenagem em todo o país. E temos mais terrenos para desenvolver o nosso pólo logístico em Aveiro. O mesmo se passa em Valongo. Só desenvolvemos esses projetos logísticos à medida que ganhamos negócios”, revela o presidente da Garland Portugal. Na última semana, a empresa anunciou que está a ponderar aumentar em mais 10 mil hectares a área de armazenagem em Aveiro, em função da crescente procura dos clientes na região centro do país. “Neste momento, o nosso pólo logístico em Aveiro tem uma área de cerca de 14 mil metros quadrados, mas estamos a prever que vai ser uma evolução muito rápida. Neste momento, a região de Aveiro é a zona do país com mais pleno emprego e mais desenvolvimento. Temos neste momento contactos com cerca de quatro ou cinco clientes em perspetiva”, revela Bruce Dawson.
“Hoje em dia, as empresas que são nossas clientes querem mais que armazenagem. Querem que lhes proporcionemos uma série de outras tarefas, com funcionalidades como pack & pack, etiquetagem ou colocação de preços nas embalagens, por exemplo, o que se costuma designar por add-ons. Tudo isto exige da nossa parte um sistema muito evoluído de informática, de software. E neste campo, como noutros, nós também assumimos riscos”, garante Bruce Dawson.
O presidente da Garland explica que um dos melhores exemplos dessa conduta empresarial foi a construção do nosso armazém e sede logística na Maia. “Construímos um armazém com 12 mil metros quadrados e 13 metros de altura. Na época, só tínhamos um cliente garantido para ocupar uma área de três mil metros quadrados. Mas, depois, o negócio teve uma evolução muito rápida e hoje em dia os nossos clientes já ocupam 35 mil metros quadrados de áreas nos nossos armazéns, entre a Maia, Gaia, Aveiro, Abóboda, Marinha Grande ou Mealhada”, destaca este responsável.
Bruce Dawson alerta que o foco da Garland nem sempre passa pela construção de instalações próprias para a área logística, podendo o objetivo de crescimento da área logística ser concretizado através de propriedades arrendadas.
“Na área da navegação, o que nós designamos de ‘Garland Transport Solutions’, que valeu cerca de 45% do nosso volume de negócios em 2018, cobrimos toda a área de transportes, complementando depois a nossa oferta de serviços no âmbito das vias terrestres. Na prática, não há um país com que não trabalhemos dentro da Europa. E também conseguimos assegurar transportes marítimos para além da Europa, igualmente através de carga aérea. É uma área de serviço da Garland que tem estado a evoluir desde 1972. Neste momento, somos uma das maiores empresas independentes na logística de transportes com cerca de 180 funcionários dentro do grupo. Nesta área da navegação, funcionamos a partir de Portugal em particular para os portos de Barcelona e de Valência”, acentua Bruce Dawson.
O responsável da Garland Portugal refere ainda que a quarta área de atuação da empresa é o back office, que faz o apoio da atividade para todas as outras áreas de funcionamento do grupo, fazendo “assistência a todos os contratos e o apoio aos nossos clientes que temos no exterior num tempo de reação de cerca de 24 horas”.