Frente Comum acusa Governo de negociar às escondidas no acordo para função pública

"É, pois, com espanto que somos confrontados com a informação da assinatura de um acordo com outras estruturas sindicais que, versando sobre matérias que o Governo se propôs a negociar a partir da segunda quinzena de outubro, nunca foram colocadas à discussão com a Frente Comum", afirma a Frente Comum.

Frente Comum acusa Governo de negociar às escondidas no acordo para função pública
TIAGO PETINGA/LUSA

A Frente Comum acusou hoje o Governo de negociar “às escondidas”, tendo sido confrontada com a assinatura de um acordo com outras estruturas sindicais que contém matérias que nunca lhe foram colocadas em discussão.

Na origem do comunicado hoje divulgado pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, afeta à CGTP, está o anúncio, pelo Ministério da Presidência, da assinatura de um acordo plurianual para a legislatura entre o Governo, a Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e a Frente Sindical liberada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estados (STE).

Em comunicado, a Frente Comum, coordenada por Sebastião Santana, afirma ter estado presente em todas as reuniões negociais com o Governo, tendo até requerido negociação suplementar, durante a qual afirmou estar disponível para continuar a negociação de aumentos salariais para 2023 até à votação final do Orçamento do Estado para 2023.

“É, pois, com espanto que somos confrontados com a informação da assinatura de um acordo com outras estruturas sindicais que, versando sobre matérias que o Governo se propôs a negociar a partir da segunda quinzena de outubro, nunca foram colocadas à discussão com a Frente Comum”, vinca a estrutura sindical.

Para a Frente Comum, a “assinatura deste ‘acordo’ e o seu conteúdo” bem como a forma como foi conduzido o processo negocial apenas vêm “dar mais força à necessidade de luta dos trabalhadores”, referindo o plenário nacional que tem marcado para 27 e outubro e a greve nacional agendada para 18 de novembro.

Assinalando que ao Governo se exige “uma seriedade negocial que não se compadece com comportamentos desta natureza”, a Frente Comum sublinha que as medidas agora conhecidas e que integram o acordo “ficando muito aquém da reposição do poder de compra perdido, mostram que o Governo tem margem orçamental para evoluir em relação à proposta inicial”.

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