Freedom24: Como a IA está a criar oportunidades de crescimento fora das grandes tecnológicas

"À medida que a IA se torna uma ferramenta transversal à economia, as empresas capazes de integrar esta tecnologia mais rapidamente nos seus processos, aumentar a eficiência operacional e transformar esses ganhos em melhores resultados financeiros terão uma forte probabilidade de se afirmarem como os próximos líderes de crescimento dos mercados", disse a Freedom24.

Freedom24: Como a IA está a criar oportunidades de crescimento fora das grandes tecnológicas
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A corretora Freedom24 defendeu que a inteligência artificial (IA) está a criar oportunidades de crescimento fora das grandes tecnológicas e que a tecnologia está a ser utilizada em todos os setores da economia para aumentar a eficiência.

“Enquanto os investidores continuam atentos à Nvidia, Microsoft e outras empresas na linha da frente da corrida à inteligência artificial, a atual época de apresentação de resultados mostra que esta tecnologia está a expandir-se muito para além do setor tecnológico”, referiu a corretora.

A Freedom24 considera que a IA está a tornar-se uma “ferramenta essencial” para aumentar a eficiência em praticamente todos os setores da economia, desde fabricantes de bebidas e cadeias de restauração até operadores de cruzeiros, sistemas de pagamentos e construtores automóveis.

“Os resultados divulgados pelas maiores empresas mundiais permitem retirar uma conclusão interessante: a IA ainda não alterou significativamente os hábitos de consumo, mas já está a transformar as próprias empresas, impulsionando a produtividade, reduzindo custos e criando novas oportunidades de crescimento dos lucros”, referiu.

Como as empresas estão a aumentar a eficiência com a IA?

A Freedom24 diz ainda que a tendência mais marcante da atual época de resultados é que praticamente todas as empresas começaram a utilizar a IA para “aumentar a eficiência” das suas operações.

“A Coca-Cola está a desenvolver um sistema global de marketing personalizado baseado em IA. Durante o Campeonato do Mundo de Futebol, a empresa recolheu mais de 25 milhões de novos perfis próprios de clientes (first-party customer profiles), que passarão a servir de base a campanhas de publicidade mais direcionadas. A IA permite ainda analisar mais rapidamente o comportamento dos consumidores e acelerar o lançamento de novos produtos”, descreveu a corretora. “A Chipotle segue uma estratégia semelhante. A cadeia de restauração utiliza o seu ecossistema digital, o programa de fidelização e ferramentas de análise de dados para prever a procura, otimizar a capacidade dos restaurantes e personalizar as ofertas dirigidas aos clientes”, acrescentou.

“Também a Royal Caribbean está a investir em plataformas tecnológicas que permitem personalizar a experiência de cada passageiro, aumentar o consumo a bordo e incentivar novas reservas”, referiu a Freedom24.

Contudo, diz a corretora, é no setor dos pagamentos que o impacto da IA se torna mais evidente.

“Na Mastercard, a divisão Value Added Services, que integra soluções de cibersegurança, prevenção da fraude, análise de dados e identificação digital, registou um crescimento de 20% nas receitas, superando claramente a evolução do negócio tradicional de pagamentos. A empresa está igualmente a desenvolver a plataforma Agentic Payments, que deverá tornar-se um dos principais pilares da próxima geração de pagamentos suportados por IA. A Visa segue uma estratégia semelhante. A administração descreve a empresa como um verdadeiro “hiperescalador dos pagamentos”, centrando a sua aposta na IA, nos pagamentos empresariais, nas transferências de dinheiro e nos serviços de elevado valor acrescentado, áreas que estão a assumir um papel cada vez mais relevante no crescimento do negócio”, referiu a Freedom24.

A indústria automóvel é onde se está a assistir a uma das “transformações mais profundas”, defendeu a corretora. “No segundo trimestre, a Tesla aumentou as receitas em 26%, para 28,2 mil milhões de dólares, enquanto as entregas de veículos cresceram 25%, atingindo um máximo histórico de 480 mil unidades. Apesar disso, o lucro operacional caiu 57% e o investimento (capex) mais do que duplicou, alcançando 5,8 mil milhões de dólares, o que resultou num fluxo de caixa livre negativo de 1,1 mil milhões. Esta quebra da rentabilidade no curto prazo explica-se pelo maior ciclo de investimento da história da empresa”, referiu.

“A Tesla já iniciou a produção do Cybercab, continua a expandir a rede Robotaxi, aumentou para 1,48 milhões o número de subscritores do sistema Full Self-Driving (FSD), está a construir capacidade de produção para o robô humanoide Optimus e prossegue os investimentos na sua própria infraestrutura de IA”, acrescentou.

“Os fabricantes automóveis tradicionais estão a seguir uma abordagem mais prudente, mas caminham na mesma direção. A Ford apresentou receitas trimestrais de 48,3 mil milhões de dólares, enquanto o EBIT ajustado aumentou para 2,5 mil milhões. A empresa reviu em alta a previsão de lucros para 2026, passando a apontar para um intervalo entre 10 e 11 mil milhões de dólares. Paralelamente, a divisão Model e, dedicada aos veículos elétricos, reduziu as perdas em cerca de 410 milhões de dólares, refletindo uma melhoria gradual da eficiência deste negócio. Também a Stellantis continua a dar sinais de recuperação. No segundo trimestre, as receitas aumentaram para 43,5 mil milhões de euros, o resultado operacional ajustado atingiu 773 milhões de euros e a empresa voltou aos lucros, registando um resultado líquido de 293 milhões de euros, depois do prejuízo registado no mesmo período do ano anterior. A estratégia FaSTLAne 2030 prevê acelerar o desenvolvimento de software, serviços digitais e tecnologias de IA, considerados fatores determinantes para reforçar a competitividade do grupo nos próximos anos”, descreveu a corretora.

A corretora salientou que há apenas dois anos, a narrativa de investimento em torno da IA “estava quase exclusivamente centrada” nos fabricantes de semicondutores, nas infraestruturas de computação em cloud (ou nuvem) e nos centros de dados. “Empresas como a Nvidia, a Broadcom, a TSMC e os grandes hyperscalers (hiperescaladoras) foram as principais beneficiárias da primeira vaga de investimento em IA”, acrescentou.

“Atualmente, o mercado parece estar a entrar numa segunda fase. Os resultados apresentados pelas maiores empresas mundiais mostram que a inteligência artificial está a integrar-se rapidamente no modelo operacional de praticamente todos os setores de atividade. As empresas recorrem cada vez mais à IA para personalizar campanhas de marketing, prever a procura, otimizar cadeias de abastecimento, reforçar a prevenção da fraude, desenvolver soluções de pagamentos digitais e criar novos serviços”, defendeu a Freedom24.

A corretora salientou que ao mesmo tempo os fundamentos da economia continuam a revelar-se “favoráveis”. Nesse particular os consumidores “mantêm um ritmo elevado de consumo, as grandes redes de pagamentos registam crescimentos de dois dígitos no volume de transações, o turismo continua a bater recordes e as principais empresas dos setores dos bens de consumo e do luxo preservam níveis elevados de rentabilidade”.

De acordo com a corretora, para os investidores esta evolução deixa uma mensagem clara: “A próxima vaga de crescimento impulsionada pela inteligência artificial poderá beneficiar muito mais do que as grandes tecnológicas”, afirmou.

“À medida que a IA se torna uma ferramenta transversal à economia, as empresas capazes de integrar esta tecnologia mais rapidamente nos seus processos, aumentar a eficiência operacional e transformar esses ganhos em melhores resultados financeiros terão uma forte probabilidade de se afirmarem como os próximos líderes de crescimento dos mercados”, disse a corretora.

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