Freedom24: Bancos europeus vivem melhor fase em mais de uma década, mas mercado já começa a distinguir vencedores

O setor bancário europeu vive um dos períodos mais favoráveis das últimas décadas. Embora persistam desafios associados ao crescimento económico e ao contexto geopolítico, os bancos voltam a afirmar-se como um dos pilares mais fortes do mercado europeu, beneficiando diretamente do novo ciclo de taxas de juro e consolidando a sua relevância junto dos investidores globais.

Freedom24: Bancos europeus vivem melhor fase em mais de uma década, mas mercado já começa a distinguir vencedores
João Lampreia_Expert_Freedom24_01

Os bancos europeus atravessam em 2026 uma das fases mais fortes da última década, depois de um ano de 2025 marcado por lucros recorde, forte valorização bolsista e recuperação da confiança dos investidores. Ainda assim, com o ciclo de taxas de juro a tornar-se mais incerto e o risco macroeconómico a subir, o mercado já não trata o setor como um bloco uniforme, segundo um comentário assinado por João Lampreia, especialista de mercado na Freedom24, sobre o regresso inesperado dos bancos europeus ao centro da atenção dos investidores e a forma como o atual contexto económico voltou a favorecer o setor financeiro.

O índice Euro StoxxBanks subiu 76% em 2025, no que foi o seu melhor desempenho de sempre, impulsionado por uma combinação de taxas de juro ainda favoráveis, melhoria das margens financeiras, forte atividade de fusões e aquisições e uma reavaliação de bancos que durante anos negociaram com desconto face ao valor contabilístico, refere a análise.

Entre os casos mais fortes destacam-se o BNP Paribas, que fechou 2025 com um lucro recorde de 12,2 mil milhões de euros, e o Santander, que anunciou 14,1 mil milhões de euros de lucro anual e manteve uma política agressiva de remuneração aos acionistas. Também o ING voltou a apresentar receitas recorde pelo terceiro ano consecutivo, apoiado por maior diversificação de receitas.

A narrativa positiva do setor entrou, no entanto, numa fase mais exigente na primavera de 2026. O BCE interrompeu o ciclo de cortes nas taxas de juro, enquanto a inflação na zona euro voltou a acelerar, em parte devido ao aumento dos preços da energia.

Este novo enquadramento tem um efeito duplo para os bancos: por um lado, sustenta margens e rentabilidade; por outro, aumenta o risco de desaceleração económica, deterioração da qualidade do crédito e maior custo do risco. É por isso que o mercado começa a olhar com mais atenção para a sustentabilidade dos lucros e não apenas para a recuperação das cotações.

Seletividade ganha peso

Apesar da forte subida das ações, o setor continua relativamente barato em termos de avaliação, com vários grandes bancos a negociar abaixo de 8 a 9 vezes os lucros. Ainda assim, o artigo assinala que a grande tese de valorização dos últimos anos — o regresso das taxas de juro e a expansão das margens — pode já estar parcialmente descontada, defende João Lampreia.

A nova fase do ciclo favorece bancos com receitas mais diversificadas, capital sólido, disciplina de custos e política clara de dividendos e recompra de ações. Segundo a análise, os bancos universais tendem a mostrar maior resiliência do que instituições excessivamente dependentes da margem financeira, continua o especialista de mercado na Freedom24.

No que toca aos riscos para o setor, a Freedom24 defende que estão ligados a uma eventual deterioração do crédito num contexto de crescimento económico mais fraco, pressão regulatória adicional sobre capital, redução da atividade de fusões e aquisições e um ambiente geopolítico mais instável. O texto conclui que os bancos europeus continuam a ser uma das histórias mais fortes do mercado em 2026, mas já exigem uma abordagem mais seletiva por parte dos investidores.

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