Fraud Survey 2017

Corrupção, fraude, apropriação de bens, desvio de fundos… são todas palavras com conotação pesada e que na nossa cultura, na nossa forma de ver o mundo e na nossa tentativa de entender a natureza humana nos fazem geralmente optar por fazer de conta que não vemos, que não nada tem a haver connosco, preferindo evitar quase sempre enfrentar essas situações e contribuir para a sua eliminação.

Fraud Survey 2017
Fraud Survey 2017

Engane-se aquele que julga que se trata de um tema da sociedade moderna, sempre existiu, sempre existirá.
Anualmente, este tema é objeto de um trabalho profundo de inquérito e análise, por parte da EY, junto de um conjunto alargado de entidades com vista à escalpelização, análise e preparação de sugestões de medidas de correção e combate. É desta forma que recomendo a leitura do nosso novo Fraud Survey 2017.

Cerca de 60% dos inquiridos considera que existem práticas reiteradas de fraude e corrupção, em Portugal. Paralelamente, foi possível averiguar que 12% dos inquiridos estariam dispostos a oferecer pagamentos em dinheiro para ganhar ou manter negócios. Além disso, 14% dos inquiridos em Portugal disseram que estariam dispostos a contabilizar receitas antecipadamente e 21% a falsear a performance financeira das suas empresas, por forma a atingirem os objetivos traçados. Uma percentagem mais alta face aos 10% e 12%, respetivamente, dos inquiridos dos mercados desenvolvidos.

Um fator que ressalta este ano prende-se com o facto de os inqueridos pertencentes à geração Y, dos 25 aos 35 anos, que representam cerca de 32% do total, demonstrarem uma atitude mais permissiva relativamente ao comportamento não ético. Destes, cerca de 73% afirmam que este comportamento é justificado se ajudar um negócio a sobreviver, comparativamente com 49% dos inquiridos entre os 45 a 54 anos, a geração X, que partilham a mesma opinião.

Além disso, 68% dos inquiridos da geração Y acreditam que a sua gestão poderia envolver-se em comportamentos não éticos para ajudar um negócio a sobreviver e 25% deste grupo etário ofereceriam pagamentos em dinheiro para ganhar ou manter negócios.

Porém, é com satisfação que, à semelhança dos outros países desenvolvidos, em Portugal este flagelo começa a ser objeto de debate, de análise e de ações concretas de combate.
Este tema é um problema de todos e somente através de programas de prevenção, assim como o desenvolvimento de ferramentas adequadas à sua deteção e ações de remediação concretas e céleres poder-se-á reforçar a eficácia ao combate contra a fraude e a corrupção.

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