FMI projeta que BCE aumente juros duas vezes este ano e reverta decisão em 2027

"Esperamos que o BCE aumente as taxas em cerca de 50 pontos base em 2026 para manter uma postura monetária neutra. Depois, em 2027, as taxas poderão voltar a descer", disse o responsável pelo departamento europeu do FMI.

FMI projeta que BCE aumente juros duas vezes este ano e reverta decisão em 2027
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O responsável pelo departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alfred Kammer, projeta que o Banco Central Europeu (BCE) aumente as taxas de juros duas vezes este ano e que em 2027 reverta estas subidas.

“No nosso cenário de referência, esperamos que o BCE aumente as taxas em cerca de 50 pontos base em 2026 para manter uma postura monetária neutra. Depois, em 2027, as taxas poderão voltar a descer. Se quiser manter as taxas de juro reais constantes, terá de aumentar um pouco a taxa de juro nominal. É isso que os nossos modelos, e esperamos que os modelos do BCE, recomendariam. Mas estamos tão incertos que eu não enfatizaria que esta é a nossa recomendação para o BCE. Isto não é definitivo. É apenas uma recomendação baseada em modelos, com base na nossa situação atual”, referiu Alfred Kammer, em Washington, à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em declarações transcritas pela Reuters.

No entender de Alfred Kammer o choque de preços (em áreas como a energia), devido a factores como o conflito no Médio Oriente, e o consequente encerramento quase total do Estreito de Ormuz, “vai deprimir a procura e pode estar num cenário em que o choque de preços deprime a procura o suficiente para que não precise realmente de ação” do banco central.

Contudo, Alfred Kammer também defende que o BCE “está numa posição muito melhor”, em comparação com outros bancos centrais, porque as suas expectativas de inflação “estão ancoradas”, sublinhando que essas expectativas “aumentaram, não numa base de cinco anos, mas um pouco numa base de um ano, e é basicamente isso que se tenta compensar com a linha de política nominal, este aumento de um ano” nas expectativas de inflação.

A finalizar o responsável do FMI disse ainda que não se espera que as expectativas de inflação “desancoram”, contudo alertou que “é preciso estar vigilante, porque se quer evitar efeitos de segunda ordem”.

BCE deve manter taxas de juro

O Banco Central Europeu (BCE), liderado por Christine Lagarde, está inclinado a manter as taxas de juro inalteradas na reunião marcada para 29 e 30 de abril, avança a agência noticiosa Bloomberg, citando fontes familiarizadas com este dossier.

As fontes ouvidas pela agência noticiosa salientaram que condições de financiamento mais restritivas estão a ajudar a manter as expectativas de inflação ancoradas por enquanto, acrescentando que um aumento nas taxas de juro “não alteraria necessariamente” muito a fixação do preço do mercado.

Estas mesmas fontes salientaram que os dados que estarão disponíveis para a reunião do BCE, em abril, não devem trazer respostas definitivas sobre o impacto do conflito que se iniciou, em fevereiro, no Médio Oriente, entre Estados Unidos, Israel, e Irão, ao nível do crescimento económico, das cadeias de abastecimento, e da inflação.

O membro do comité de política monetária da Estónia, Madis Muller, em declarações à agência noticiosa Reuters, defendeu que o BCE não deve ter todos os dados, em abril, para determinar se as taxas de juro devem ser aumentadas, adiantando que a reunião, prevista para junho, deve oferecer um conjunto maior de informações.

Madis Muller referiu que “deve levar algum tempo” para que as pressões inflacionistas mais amplas “se consolidem”, acrescentando que “pode ser difícil dizer até ao final de abril se precisamos de nos preocupar com isso”.

Contudo, Madis Muller salientou que um aumento das taxas de juro em abril “não pode ser descartado” pelo que o BCE precisa de “manter as suas opções em aberto”, tendo em conta que “reviravoltas inesperadas na guerra [no Médio Oriente] podem alterar fundamentalmente as perspetivas”. O membro do comité de política monetária da Estónia referiu que “algo pode correr muito mal com as negociações de paz” no Médio Oriente. Para si a duração da guerra é a “maior incógnita que influenciará os preços da energia e terá implicações mais vastas para o crescimento e a inflação”.

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