Fernando Vasco Costa, Consultoria Estratégica na JLL: Lisboa e Porto serão diferentes em dois anos

Fernando Vasco Costa, Consultoria Estratégica na JLL: Lisboa e Porto serão diferentes em dois anos
Fernando Vasco Costa, Consultoria Estratégica na JLL: Lisboa e Porto serão diferentes em dois anos

Como é que a JLL vê o novo mercado da reabilitação urbana. De que forma é que a reabilitação está ligada à Lei das Rendas e à maior concentração de estrangeiros na cidade?
A Lei das Rendas foi um fator importante, embora temporal, nomeadamente a forma mais expedita de tratar os imóveis. Coincidentemente há a questão do turismo a crescer, sobretudo Lisboa, principalmente para franceses que estavam mais habituados ao norte de África, mas com a Primavera Árabe transferiram-se para Lisboa. Em 2013 os turistas franceses cresceram 25%. Estes olham para o mercado e veem as oportunidades imobiliárias, ligadas ao regime fiscal. Paralelamente os “golden visa” que despoletam o crescimento de investidores chineses. Foi criado um novo mercado, que não teria de ser de reabilitação urbana, mas que veio “casar” com a ideia do produto dos apartamentos turísticos e que deu a rentabilidade que procuravam.

Falamos apenas de casco histórico de Lisboa?
Para já apenas podemos falar em Lisboa na zona do casco histórico até ao Marquês de Pombal. A JLL está a fazer gestão de projetos na Av. da República, Cais do Sodré e Alfama. Aliás, foram as zonas mais pequenas que aproveitaram a Lei das Rendas e começaram por reabilitar apartamentos turísticos.

Como está a JLL organizada nesta área?
O departamento Development Solutions dá apoio aos investidores que querem pensar em reabilitação urbana, quais os melhores custos, qual o Business Plan a desenvolver, claro não apenas focado na reabilitação urbana, embora nos últimos tempos tenha sido esta a área de eleição. Depois temos o Project Management que damos apoio com a continuidade com a implementação do projeto. Acompanhamos licenciamentos, projetistas e desenvolvimento da obra. No final damos apoios, quer seja ao departamento residencial, de escritórios e comércio para a comercialização dos ativos. Damos o apoio em todo o ciclo do imobiliário. Temos também a equipa de Capital Market, de investimento, que tem ativos no centro de Lisboa para comercialização e para projetos de reabilitação urbana.

A construção é adjudicada a terceiros?
Sim. Não somos empreiteiros neste tipo de obras. O foco da nossa empresa da área, a Tétris, é o fit-out de interiores, não obras de reabilitação urbana.

Como é que aparece esta área na JLL?
Basta olhar para Lisboa para ver que há muito para desenvolver na reabilitação urbana. Temos uma cidade com boas infraestruturas, a par de incentivos fiscais, nomeadamente em IVA. Aliás, o IVA reduzido na reabilitação urbana de 23% para 6% na faturação da obra é um fator nuclear.

Este movimento em Lisboa pode ser replicado no Porto?
Já começa. Já há alguma procura de investidores, também por causa do sucesso no turismo. A Invicta tem boas oportunidades para desenvolver no centro. Tem ruas que começam a ganhar notoriedade em termos comerciais. O Porto tem uma animação noturna interessante e, tal como em cidades como Nova Iorque em que vai primeiro a vanguarda e depois se consolida, também aqui o “boom” turístico veio dar nova vida ao Mercado da Ribeira e à Baixa. Dentro de dois anos poderemos olhar para trás e veremos como tudo está diferente.

Por que é um cliente deve escolher a JLL para gestora de projetos?
O grande fator diferenciador é escolher alguém que integra todos os serviços e tem um grande conhecimento do mercado. Alguém que oferece um sistema de serviços integrado, onde não tem de escolher um consultor, depois um gestor de projeto, depois uma comercialização e depois tem de coordenar tudo isso. Aqui ao escolher um gestor de projeto tem tudo integrado, a par do conhecimento do mercado, com research, consultoria e venda final.

OJE

Relacionado

Plataforma e-Leilões ultrapassa oito mil milhões de euros em vendas nos primeiros 10 anos

Plataforma e-Leilões ultrapassa oito mil milhões de euros em vendas nos primeiros 10 anos

Maria Teixeira Alves2 Set
Desenvolvida e gerida pela OSAE, por despacho do Ministério da Justiça, a plataforma gerou, até julho de 2026, mais de oito mil milhões de euros. No primeiro trimestre deste ano, as vendas superaram os 121,5 milhões de euros, com mais de 2.500 leilões realizados e cerca de 46.900 licitações. O imobiliário concentrou a maior parte deste volume, com mais de 118,6 milhões de euros, 1.200 leilões e 36.500 licitações.