O cofundador da Ben & Jerry’s, Jerry Greenfield, deixou a empresa depois de uma desavença com a Unilever relativa ao conflito de Gaza. Numa carta aberta dirigida à comunidade Ben & Jerry’s que foi partilhado pelo seu parceiro Ben Cohen nas redes sociais, Greenfield disse que a empresa com sede em Vermont perdeu a sua independência desde que a Unilever reduziu seu ativismo social.
A Unilever e a Ben & Jerry’s estão em conflito desde 2021, quando a produtora de gelados anunciou que interromperia as vendas na Cisjordânia ocupada por Israel. Desde então, a marca processou a Unilever por supostos esforços para a silenciar e descreveu o conflito em Gaza como “genocídio”, uma postura rara entre as grandes empresas dos Estados Unidos.
Segundo um artigo da agência Reuters, Greenfield disse que não poderia continuar a trabalhar para uma empresa “silenciada” pela Unilever, apesar de um acordo de fusão destinado a salvaguardar a marca. “Essa independência existia em grande parte por causa do acordo de fusão único que Ben e eu negociámos com a Unilever”, escreveu na carta.
Um porta-voz da Magnum Ice Cream Company, unidade de gelados da Unilever, disse que “discorda da perspetiva de Greenfield e procurou envolver os dois cofundadores numa solução. A saída de Greenfield ocorre no momento em que a Ben & Jerry’s vem pedindo mais autonomia. Na semana passada, Cohen exigiu “libertar a Ben & Jerry’s” para proteger os seus valores sociais, o que foi rejeitado pelo novo CEO da Magnum, Peter ter Kulve. Cohen disse que a marca tentou arquitetar uma venda para investidores a um valor justo de mercado entre 1,5 mil milhões e 2,5 mil milhões de dólares, mas a proposta foi rejeitada.
A Ben & Jerry’s foi fundada em 1978 por Cohen e Greenfield num posto de gasolina e manteve a sua missão socialmente consciente depois de a Unilever a ter comprado em 2000.