Exposição das PME nacionais a importações extracomunitárias agrava risco cambial, alerta Ebury

A propósito do Dia Internacional das PME, que se celebra este sábado, dia 27 de junho, a fintech salienta que as importações portuguesas eram, em 2000, 45,7% oriundas de fora do espaço da moeda única, uma percentagem que subiu consideravelmente, estando atualmente em 57,9%.

Exposição das PME nacionais a importações extracomunitárias agrava risco cambial, alerta Ebury
A woman holds Euro banknotes in this illustration taken May 30, 2022. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

O aprofundamento do comércio internacional deixa as micro, pequenas e médias empresas (PME) portuguesas mais vulneráveis ao risco cambial, sobretudo via importações extracomunitárias, alerta a Ebury. A percentagem de bens comprados fora da UE por empresas portuguesas tem crescido, destaca a análise, ao passo que as exportações ficam concentradas no bloco europeu, ilustrando a maior exposição do sector empresarial português.

A propósito do Dia Internacional das PME, que se celebra este sábado, dia 27 de junho, a Ebury divulgou esta quinta-feira uma análise sobre o risco cambial e a exposição das empresas portuguesas ao mesmo, alertando que Portugal tem enfrentado uma mudança estrutural nas importações que deixa o país mais vulnerável.

A fintech salienta que as importações portuguesas eram, em 2000, 45,7% oriundas de fora do espaço da moeda única, uma percentagem que subiu consideravelmente, estando atualmente em 57,9%.

“Em 2025, a Ásia representou 22,3% das importações, enquanto os Estados Unidos pesam 6,8%, com a China a consolidar-se como fornecedor estratégico”, detalha o estudo. “Esta evolução traduz-se numa maior exposição ao dólar e a divisas asiáticas, criando uma ‘assimetria monetária’: as empresas continuam a faturar maioritariamente em euros, mas uma parte crescente dos seus custos está denominada em moeda estrangeira”, continua.

Dada a força do euro nos últimos tempos, esta questão não tem sido problemática, mas a tendência pode inverter-se caso haja uma apreciação considerável face ao euro de uma destas divisas com que as empresas portuguesas estão fortemente interligadas.

“O panorama do comércio externo já não é o que era há 25 anos. Se, em 2000, a economia estava fortemente ancorada na Zona Euro, hoje, o padrão é mais global e, do ponto de vista financeiro, muito mais exigente”, afirma Gonçalo Vilas Boas, Country Manager da Ebury em Portugal.

Perante isto, a fintech defende que “o risco cambial deixou de ser apenas uma variável conjuntural para passar a assumir um papel estrutural na competitividade das empresas”.

“A revalorização do euro frente ao dólar pode aliviar custos a curto prazo, mas oscilações cambiais podem corroer rapidamente as margens quando não existe uma política ativa de cobertura”, completa.

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