“Excesso de capital da banca portuguesa é uma oportunidade”, aponta Alvarez & Marsal

Bancos portugueses são "os mais eficientes a nível global", considera Fernando de La Mora, da consultora Alvarez & Marsal, no Fórum Banca 2026 que decorre esta terça-feira. Alerta, porém, que "ainda há muito trabalho a fazer", nomeadamente aproveitar o "excesso de capital" para investir em indústrias críticas.

“Excesso de capital da banca portuguesa é uma oportunidade”, aponta Alvarez & Marsal
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A almofada de capital que os bancos portugueses acumulam, que supera largamente os requisitos legais, deveria ser usada para investir em indústrias críticas, defendeu Fernando de La Mora, co-líder global de serviços financeiros na Alvarez & Marsal Espanha no Fórum Banca 2026, que tem lugar esta terça-feira e conta com organização do JE.

O consultor elogia os bancos portugueses pelo comportamento em vários segmentos, nomeadamente nas receitas, que têm sido elevadas, mas também na eficiência: “São os bancos mais eficientes, a nível global, no grupo de comparação que analisámos”, afirma Fernando de La Mora, que destaca ainda a resiliência, porque “o custo do risco é muito baixo”, com uma almofada de capital (CET1) de 19%, “o mais elevado entre os bancos globais”.

“Penso que são excelentes notícias, mas também uma oportunidade”, ressalva o consultor. “Uma oportunidade porque, obviamente, 19% é demasiado elevado. Mostra que existe um excesso de capital no sistema. Se descerem para 13%, que é o CET1 dos bancos espanhóis, irão gerar um excesso de capital CET1 de cerca de 10 mil milhões de dólares, que, traduzido em ativos, corresponderia a cerca de 200 mil milhões de dólares, metade do tamanho do sistema bancário em Portugal e cerca de 50% do vosso PIB”, defende. “Portanto, o excesso de capital é claramente uma oportunidade”.

Nesse sentido, considera que os bancos portugueses deveriam avançar com um plano de investimento “para aplicar o excesso de capital em setores estratégicos”, dando como exemplo o JPMorgan Chase, que escolheu 20 indústrias críticas. Um plano “que beneficie o país, beneficie as empresas e também os bancos”.

Fernando de La Mora aponta ainda a rentabilidade positiva da banca nacional, mas entende que os montantes pagos aos investidores “ficam aquém dos pares” a nível global. “Se não tiverem essas opções de crescimento orgânico, devem aumentar o ‘payout’ aos acionistas, como outros bancos estão a fazer a nível global”, sugere.

Além disso, os bancos devem “continuar obviamente a consolidação no mercado”, investir em inteligência artificial “em grande escala”, e desenvolverem “estratégias de receitas de comissões e ‘cross-sell’ em produtos como gestão de património ou seguros”.

“Parabéns pelo desempenho da banca. Aproveitem este momento positivo, mas ainda há muito trabalho a fazer”, conclui o consultor.

Desregulação americana

Fernando de La Mora avisa que “os EUA e a administração Trump estão a desregular os bancos”, com “um conjunto de propostas — muitas já implementadas — que irão libertar cerca de 15% de CET1”. Medidas que “afetam a dinâmica global dos bancos”.

“O Reino Unido está a seguir o mesmo caminho — não ao mesmo ritmo que os EUA — mas também a libertar capital”, sublinha o consultor, que nota o contraste com a União Europeia. “Enquanto isto acontece nos EUA e no Reino Unido, na Europa fala-se de simplificação, mas os requisitos de capital continuam a aumentar. Aumentaram no ano passado cerca de 20 pontos base para os grandes bancos europeus e continuarão a subir”.

“A simplificação é positiva, mas se não vier acompanhada de redução de capital, a banca europeia, e especialmente os grandes bancos, não terão condições de concorrência equilibrada face aos bancos dos EUA e do Reino Unido”, alerta.

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