EUA: Fed coloca travão nos juros após mais de um ano de subidas consecutivas

Os dados macro sobre a inflação e mercado laboral têm vindo a surpreender pela positiva, dando margem de manobra à Fed para não subir juros pela primeira vez desde março do ano passado enquanto avalia os efeitos na economia real da subida mais agressiva das taxas diretoras em 40 anos.

EUA: Fed coloca travão nos juros após mais de um ano de subidas consecutivas
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Após mais de um ano do ciclo de subidas de juros mais agressivo dos últimos 40 anos, a Reserva Federal norte-americana optou esta quarta-feira por deixar as taxas de referência inalteradas, face a uma leva positiva de dados macro. Os juros diretores mantêm-se assim no intervalo entre 5% e 5,25%, embora o pico do aperto monetário não deva ter sido já atingido.

A expectativa do mercado estava firmemente ancorada numa pausa na reunião de junho, face a uma inflação que vem recuando a olhos vistos e a um mercado laboral forte e robusto. Os dados quanto à evolução de preços haviam sido conhecidos terça-feira e mostraram nova desaceleração do índice de preços no consumidor, de 4,9% em abril para 4,0% em maio.

Na sexta-feira anterior, o mercado de trabalho havia voltado a surpreender, registando 339 mil novos postos criados em maio, um máximo de quatro meses e muito acima das projeções dos analistas, firmadas em torno de 190 mil.

Assim, e após dez reuniões consecutivas resultando em subidas de juros, confirmou-se a expectativa do mercado com uma pausa para avaliar os efeitos macro da política monetária, que costuma ter efeitos na economia real com um desfasamento de 12 a 18 meses. Ainda assim, são esperadas novas subidas nas próximas reuniões, pelo que esta pausa não corresponderá ao pico terminal do aperto monetário.

Um sinal claro disso prende-se com as projeções dos membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) quanto à taxa terminal do aperto monetário, que subiu marcadamente desde o último exercício de projeções macro. A mediana entre os decisores da Fed situa-se agora em 5,6%, ou seja, 60 pontos base (p.b.) acima dos juros atuais. Tal sugere pelo menos mais duas subidas de 25 p.b. até ao final do ano.

Na mesma linha, a projeção para a inflação este ano foi revista em ligeira baixa, passando de 3,3% nas previsões de março para 3,2%, ao passo que o indicador subjacente foi revisto em alta, de 3,6% para 3,9%. Importa, no entanto, referir que o indicador de referência para a Fed na análise da inflação é o índice de gastos pessoais de consumo (PCE), e não o índice de preços no consumidor.

Quanto ao crescimento, esse sofreu uma correção positiva, com a expectativa a passar agora por 1,0% de subida do PIB este ano, por oposição aos 0,4% antes esperados. Já o desemprego foi revisto em baixa perante um mercado laboral historicamente robusto, com o FOMC a esperar 4,1% de desemprego, menos do que os 4,5% antes estimados.

[notícia atualizada às 19h09]

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