Após mais de um ano do ciclo de subidas de juros mais agressivo dos últimos 40 anos, a Reserva Federal norte-americana optou esta quarta-feira por deixar as taxas de referência inalteradas, face a uma leva positiva de dados macro. Os juros diretores mantêm-se assim no intervalo entre 5% e 5,25%, embora o pico do aperto monetário não deva ter sido já atingido.
A expectativa do mercado estava firmemente ancorada numa pausa na reunião de junho, face a uma inflação que vem recuando a olhos vistos e a um mercado laboral forte e robusto. Os dados quanto à evolução de preços haviam sido conhecidos terça-feira e mostraram nova desaceleração do índice de preços no consumidor, de 4,9% em abril para 4,0% em maio.
Na sexta-feira anterior, o mercado de trabalho havia voltado a surpreender, registando 339 mil novos postos criados em maio, um máximo de quatro meses e muito acima das projeções dos analistas, firmadas em torno de 190 mil.
Assim, e após dez reuniões consecutivas resultando em subidas de juros, confirmou-se a expectativa do mercado com uma pausa para avaliar os efeitos macro da política monetária, que costuma ter efeitos na economia real com um desfasamento de 12 a 18 meses. Ainda assim, são esperadas novas subidas nas próximas reuniões, pelo que esta pausa não corresponderá ao pico terminal do aperto monetário.
Um sinal claro disso prende-se com as projeções dos membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) quanto à taxa terminal do aperto monetário, que subiu marcadamente desde o último exercício de projeções macro. A mediana entre os decisores da Fed situa-se agora em 5,6%, ou seja, 60 pontos base (p.b.) acima dos juros atuais. Tal sugere pelo menos mais duas subidas de 25 p.b. até ao final do ano.
Na mesma linha, a projeção para a inflação este ano foi revista em ligeira baixa, passando de 3,3% nas previsões de março para 3,2%, ao passo que o indicador subjacente foi revisto em alta, de 3,6% para 3,9%. Importa, no entanto, referir que o indicador de referência para a Fed na análise da inflação é o índice de gastos pessoais de consumo (PCE), e não o índice de preços no consumidor.
Quanto ao crescimento, esse sofreu uma correção positiva, com a expectativa a passar agora por 1,0% de subida do PIB este ano, por oposição aos 0,4% antes esperados. Já o desemprego foi revisto em baixa perante um mercado laboral historicamente robusto, com o FOMC a esperar 4,1% de desemprego, menos do que os 4,5% antes estimados.
[notícia atualizada às 19h09]