Empresas intensivas em tecnologia são responsáveis por 19% das exportações portuguesas

As exportações geraram um valor de 18,6 mil milhões de euros, revela um estudo da Informa D&B sobre as Indústrias em Portugal. Das 32 mil indústrias que operam no tecido empresarial português cerca de três mil são intensivas em tecnologia.

Empresas intensivas em tecnologia são responsáveis por 19% das exportações portuguesas
Tecnologia

Das 32 mil indústrias que operam no tecido empresarial português, as empresas intensivas em tecnologia são responsáveis por 19% das exportações da totalidade do tecido empresarial, o que corresponde a um valor de 18,6 mil milhões de euros, revela um estudo da Informa D&B sobre as Indústrias em Portugal.

O estudo identificou cerca de três mil indústrias intensivas em tecnologia.

“A maior parte destas indústrias dizem respeito a equipamentos (que inclui indústria aeroespacial, máquinas, equipamento eletrónico, médico e elétrico). As atividades relacionadas com a Saúde e bem-estar (indústria farmacêutica, material médico, cosméticos e produtos de higiene) assume um destaque especial, representando 24% das indústrias intensivas em tecnologia”, refere o estudo.

A diretora geral da Informa D&B, Teresa Cardoso de Menezes, referiu que “é a primeira vez que fazemos um estudo específico sobre as Indústrias porque pensamos ser importante registar a sua evolução e o peso que mantêm na criação de riqueza, nas exportações e no emprego. A análise permite também identificar oportunidades futuras em vários setores da indústria sendo este o conhecimento que queremos partilhar”.

As indústrias intensivas em tecnologia representam apenas 0,8% das empresas do tecido empresarial, mas são responsáveis por quase 5% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) total e cerca de um quinto do investimento em Investigação & Desenvolvimento de todo o tecido empresarial, diz a Informa D&B.

“Os dados do desempenho das Indústrias no período entre 2019 e 2024 mostram algumas debilidades, quando comparados com a média do tecido empresarial nacional. Ainda assim, e segundo o Eurostat, Portugal está entre os países onde a indústria transformadora registou crescimento no volume de negócios, um crescimento que ocorreu apenas em 13 dos 27 países da UE. Após o impacto negativo da pandemia de Covid-19, a Indústria recuperou mais rapidamente que a média do tecido empresarial. Porém, os últimos dois anos foram praticamente de estagnação no que toca ao volume de negócios da Indústria em Portugal. Segundo os dados da Informa D&B, nos últimos cinco anos, o crescimento da Indústria foi de 5,8% ao ano, uma percentagem inferior aos 6,5% registados pelo tecido empresarial”, descreve o estudo.

O documento diz ainda que para o aumento do volume de negócios da Indústria contribuíram quer o mercado externo quer o interno, com maior crescimento para a vertente nacional.

“Apesar das Indústrias continuarem a concentrar a maior parte das exportações nacionais, os negócios com mercados externos nas Indústrias cresceram menos que no tecido empresarial. Algumas das principais atividades com mais empresas exportadoras e maior percentagem de exportações, como Indústria Automóvel e a Indústria de Têxtil e moda foram as que menos viram crescer as exportações nos anos mais recentes. Entre 2019 e 2024, a taxa de variação média anual das exportações no tecido empresarial foi de 6,3%, uma percentagem que se ficou pelos 5,3% nas Indústrias”, diz o estudo, adiantando que a Indústria “concentra a maior fatia” do emprego do tecido empresarial, mas também neste indicador “mostra sinais de estagnação, crescendo menos” que o tecido empresarial no mesmo período, 1,4% e 2,4%, respetivamente, com o contributo negativo da Indústria Automóvel e de Têxtil e Moda.

Entre 2019 e 2024, tanto o crescimento como a rentabilidade da Indústria “estão abaixo da média” do tecido empresarial. “No entanto, quando analisadas as diversas indústrias segundo uma matriz de crescimento e rentabilidade, a Indústria ligada à Saúde e Bem-estar destaca-se nos dois indicadores, estando bastante acima da média”, salienta a Informa D&B.

Criação de empresas subiu 4%

O estudo acrescenta que nos últimos 10 anos (2016-2025), a criação de novas empresas em todo o tecido empresarial aumentou 4,2% ao ano, enquanto as indústrias registaram um recuo anual de 0,9%. “As maiores quedas na criação de novas empresas ocorreram nas indústrias de Têxtil e Moda, Automóvel e Alimentar. Pelo contrário, os maiores crescimentos foram registados nas indústrias de Equipamentos, Metalurgia e Saúde e Bem-estar”, salienta.

“A Indústria é um dos pilares da economia nacional, mantendo maior representação na região Norte, onde estão concentradas mais de metade (52%) das Indústrias e onde estas atividades mais contribuem para a economia regional. As 32 mil Indústrias identificadas pela Informa D&B, correspondem a 8% das empresas do tecido empresarial, empregam 635 mil pessoas, 19% do total, faturam 116 mil milhões de euros, 23% do total do tecido empresarial, e são responsáveis por metade das exportações nacionais, com 50 mil milhões de euros de negócios com o exterior. Em 2024, o Valor Acrescentado Bruto das Indústrias correspondia a quase 10% do PIB”, diz o estudo.

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