Empresas estão a ter maior grau de adoção de inteligência artificial

Um relatório da McKinsey & Company refere que a vasta maioria (88%) das empresas já utiliza inteligência artificial regularmente em comparação com os 78% do ano passado [2024].

Empresas estão a ter maior grau de adoção de inteligência artificial
McKinsey Company

O relatório “The State of AI in 2025: Agents, Innovation, and Transformation”, desenvolvido pela McKinsey & Company, revela um aumento na adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas. Os dados revelam que a vasta maioria (88%) já utiliza inteligência artificial regularmente face aos 78% do ano passado. As empresas líderes na adoção de IA (que representam 6% da amostra) investem mais de 20% do orçamento digital na tecnologia e mobilizam mais de 5% do lucro antes de juros e impostos (EBIT) à tecnologia mas apenas 39% reportam que esta tecnologia está a ter impacto no EBIT.

“Três anos após a popularização da IA Generativa, esta tecnologia está presente na maioria das empresas a nível global, mas nem todas estão a conseguir ganhos de escala. Apesar da disseminação da tecnologia, apenas um terço das organizações afirma estar a conseguir escalar os seus programas de IA a nível global, e o estudo revela uma clara
diferença entre empresas de maior e menor dimensão”, refere o relatório da McKinsey & Company.

Entre as organizações com mais de cinco mil milhões de dólares em receitas, “quase metade” já alcançou uma fase de escala efetiva. “Em contraste, apenas 29% das empresas com menos de 100 milhões de dólares de faturação atingiram o mesmo nível de maturidade, evidenciando que capacidades de investimento, talento disponível e infraestruturas tecnológicas continuam a desempenhar um papel determinante no sucesso destas iniciativas”, sublinha o mesmo relatório.

Empresas recorrem mais a agentes de IA

Quanto aos agentes de inteligência artificial o relatório indica que as empresas estão a ter um maior grau de adoção com 62% a relatarem que “estão a testar” estes agentes e quase um quarto afirma que “já estão a escalar” pelo menos um agente.

“No entanto, a sua utilização continua concentrada em áreas específicas, como Tecnologias da Informação (TI), gestão de conhecimento, marketing e vendas, onde os casos de uso mais maduros incluem automação de processos, suporte ao cliente e otimização de estratégias comerciais. A nível setorial, a utilização é mais frequentemente reportada no setor tecnológico, media e telecomunicações, e no setor da saúde”, refere o relatório.

Apenas 39% reportar efeito financeiro positivo 

Os dados do relatório salientam que 39% das organizações reportam efeitos positivos no EBIT atribuídos à tecnologia, e a maioria desses impactos permanece inferior a 5%.

“Ainda assim, começam a emergir sinais claros de transformação, com a maioria das empresas a admitir melhorias na capacidade de inovar, bem como um aumento na satisfação dos clientes e uma maior diferenciação competitiva. Para algumas funções, como engenharia de software, manufatura ou tecnologias da informação (TI), observam-se já reduções tangíveis de custos, enquanto em áreas como marketing, vendas e desenvolvimento de produto os ganhos estão sobretudo associados ao crescimento das receitas”, sublinha o relatório.

O sócio sénior da McKinsey, Benjamim Vieira, defende que as empresas que hoje estão a “capturar mais valor” da IA não são simplesmente aquelas que adotam novas ferramentas, mas sim as que “redesenharam os seus processos de ponta a ponta” para aproveitar plenamente estas capacidades.

“São organizações que repensaram a forma como inovam, como tomam decisões e como interagem com os seus clientes, integrando a IA nos fluxos críticos em vez de a utilizarem como um complemento isolado”, diz Benjamim Vieira.

“Neste contexto, os dados — e, em particular, a sua disponibilidade na cloud — funcionam como habilitadores essenciais, permitindo ligar informação, escalar modelos e gerar aprendizagem contínua. Mas o verdadeiro diferencial vem do redesenho organizacional: simplificar, automatizar, eliminar fricções e criar processos que permitam à IA gerar valor de forma sistemática”, acrescentou Benjamim Vieira.

O relatório identifica também um conjunto de organizações mais avançadas na adoção de IA, designadas de “high performers”. Estas representam cerca de 6% da amostra, e destacam-se por “abordarem a tecnologia como um vetor
estratégico de transformação, e não apenas” como um mecanismo de eficiência.

“Estas organizações são mais propensas a redesenhar de forma profunda os seus fluxos de trabalho, a escalar rapidamente casos de uso da tecnologia, a integrar agentes de IA de forma mais ampla e a assegurar um forte envolvimento das equipas de liderança. Estas empresas canalizam cerca de 20% do seu orçamento digital para iniciativas de IA, o que lhes permite acelerar a maturidade tecnológica e capturar valor de forma mais consistente”, diz o relatório.

Empresas têm diferentes expetativa sobre impacto da tecnologia no emprego

É ainda defendido no relatório que a evolução no uso da IA está a gerar “diferentes expectativas” quanto ao seu impacto no emprego.

“Embora muitos inquiridos considerem que não haverá alterações significativas na dimensão das equipas, 13% antecipam um aumento de cerca de 3% no número de colaboradores devido ao uso destas tecnologias, sobretudo em organizações que estão a acelerar a sua transformação”, refere o relatório da McKinsey & Company.

É ainda referido que 32% prevê uma redução da força de trabalho de 3% ou mais no próximo ano, e que as empresas de maior dimensão são aquelas que “mais frequentemente preveem reduções de emprego” associadas à IA.

“Ao mesmo tempo, o relatório assinala que a gestão dos riscos associados à IA está a ganhar maior importância. Desde 2022, o número de riscos que as organizações afirmam estar a mitigar passou de dois para uma média de quatro, refletindo uma maior consciência sobre as potenciais consequências destas tecnologias. Entre as empresas que utilizam IA, 51% reconhece ter sofrido algum efeito negativo, e quase um terço aponta problemas decorrentes da inexatidão das respostas geradas pelos modelos, tornando este um dos riscos mais mencionados”, refere o relatório.

“Em contraste, a falta de explicabilidade — ou seja, a dificuldade em compreender como e porquê a IA chega a determinadas conclusões — continua a ser um dos riscos menos abordados, embora muitas organizações o considerem um desafio recorrente”, diz o documento.

Relatório pede reforço de governação e quadros de responsabilidades mais robustos

O relatório considera que este novo contexto sublinha a necessidade de “reforçar” a governação e de adotar quadros
de responsabilidade “mais robustos”, de forma a avançar para um uso “eficaz, escalável e seguro” da inteligência artificial.

O documento diz também que o verdadeiro potencial da IA nas empresas “continua por materializar”.

A McKinsey & Company diz que a transição de iniciativas de experimentação da tecnologia para uma adoção em escala “é um desafio” mas também uma “oportunidade”. O relatório considera que as organizações que encararem a IA como um “elemento central na redefinição de processos, na aceleração da inovação e na criação de vantagem competitiva estarão mais preparadas” para liderar esta nova fase tecnológica e ganhar vantagem competitiva.

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