Em nove países, os suspeitos de crimes de violação não são julgados se casarem com as vítimas

Países como a Bélgica, a Grécia e a Holanda aparecem referenciados pela Equaly Now, como países com sistemas jurídicos que não conseguem combater adequadamente as práticas de crimes de violação.

Em nove países, os suspeitos de crimes de violação não são julgados se casarem com as vítimas
Carlos Jasso/REUTERS

Um relatório da organização Equaly Now, divulgado esta segunda-feira, mostra que em pelo menos nove países os crimes por violação são perdoados aos arguidos se estes acordarem casar com as vítimas. O problema, no entanto, não é exclusivo deste países. A Equaly Now alerta para a existência de outros países, como a Bélgica, Grécia e Holanda, onde o combate à violência sexual está a ser feito de forma pouco significativa e pede reformas legislativas de forma a mudar mentalidades.

“A violência sexual está a ser infligida diariamente em mulheres e crianças em todo o mundo, atingindo proporções epidémicas”, pode ler-se no relatório da Equaly Now. “Precisamos de uma mudança determinante na forma como as leis são criadas, implementadas e divulgadas”, de forma a travar o problema.

Em países como o Líbano, Tunísia e Filipinas, os violadores são desculpabilizados pela justiça se aceitarem casar com as vítimas. Noutros países, como a Índia, Omã, Singapura e Sri Lanka, a violação é considerada aceitável dentro do casamento e é vista como algo “comum” e “normal”.

Os dados são preocupantes e segundo Antonia Kirkland, que lidera o programa da Equaly Now para a igualdade, a organização quer “desafiar os governos a olharem para as suas leis, para perceberem se estão ou não a proteger as raparigas contra a violência sexual”. A Equaly Now pede aos Governos que “transformem as suas leis e políticas para prevenir a violência sexual e, se isso falhar, para que garantam às vítimas um melhor acesso à justiça”.

Países como a Bélgica, a Grécia e a Holanda aparecem referenciados pela Equaly Now, como países com sistemas jurídicos que não conseguem combater adequadamente as práticas de crimes de violação e permitem aos violadores escapar à justiça mediante determinadas circunstâncias. Na Bélgica, por exemplo, se o agressor chegar a acordo com a vítima, pode vir a ser inocentado e escapar impune.

As Nações Unidas apontam para que um terço das mulheres em todo o mundo já tenha sofrido alguma vez violência física ou sexual e que uma em cada dez foi violada ou sexualmente agredida. “Queremos mostrar que a violação é um crime grave”, reitera a organização.

Relacionado