A EDP – Energias de Portugal vai vender 80% da central a carvão de Pecém, localizada no estado brasileiro do Ceará, cujo valor de mercado ascende a 1,9 mil milhões de reais (cerca de 366 milhões de euros), naquele que é um “importante marco na concretização do objetivo estratégico do grupo de ser coal free até ao final de 2025″.
“A EDP – Energias de Portugal, através da sua subsidiária integralmente detida EDP – Energias do Brasil, celebrou um Acordo de Compra e Venda com um grupo de investidores brasileiros coordenado pela Mercurio Asset para a venda de uma participação de 80% na Pecém Geração de Energia e, sob determinadas condições, uma opção de venda dos restantes 20% até ao final do PPA, refletindo um Enterprise Value implícito de BRL 1,9 mil milhões para 100% da central”, anunciou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) num comunicado emitido ao início da noite desta quarta-feira.
A energética liderada por Miguel Stilwell d’Andrade ressalva que vai garantir 100% da gestão do projeto de hidrogénio renovável de 1,25 MW que iniciou operações em dezembro do ano passado no complexo de Pecém.
“A EDP continuará a avaliar o potencial de desenvolvimento de projetos de hidrogénio renovável de maior escala na região”, acrescenta a empresa na mesma nota.
A central brasileira, que tem uma capacidade de 720 MW, “desempenha um papel importante no apoio à segurança do fornecimento de eletricidade à região Nordeste do Brasil, onde o consumo de eletricidade e a capacidade de produção de energia renovável têm vindo a crescer de forma constante”, acrescenta o comunicado,
“A central dispõe de um PPA de capacidade regulada que vigora até julho de 2027, com receitas atualizadas à inflação e ajustadas à disponibilidade técnica e ao despacho decidido pelo ONS, o operador do sistema elétrico brasileiro. Após um máximo histórico na geração registada em 2021, resultante da seca extrema no Brasil, o ONS não emitiu qualquer despacho para esta central nos últimos 16 meses, devido aos recentes níveis elevados dos reservatórios hidrelétricos na região. Os compradores iniciaram estudos para a conversão da central para outras fontes de combustível, como o gás natural e misturas com hidrogénio ou biomassa, através de um Plano de Transição Energética baseado nas melhores práticas internacionais de descarbonização”, é possível ler ainda na nota da CMVM.
Sobre o objetivo de “ser coal free até ao final de 2025″, a empresa diz que, “em relação às últimas 3 centrais a carvão ainda no seu portfólio, localizadas em Espanha, continua ativamente a desenvolver planos de descomissionamento das centrais de Soto e de Los Barrios, as quais exigem autorizações por parte do operador do sistema elétrico respetivo, bem como um plano de conversão da central de Aboño de carvão para gás”.
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