Economia digital: A importância de fortalecer laços com EUA

Tema foi debatido no Portugal Digital Summit`23 que decorre em Leça da Palmeira, Matosinhos (Porto). Evento que decorre até amanhã foi organizado pela AICEP, de quem o Jornal Económico é media partner.

Economia digital: A importância de fortalecer laços com EUA
portugal digital summit

No mundo dos negócios, fazer a ponte com os Estados Unidos da América já foi bem mais difícil. Hoje, tudo parece mais simples, sobretudo por via da transição digital, mas há ainda alguns desafios pela frente no que diz respeito à entrada das empresas portuguesas em território norte-americano.

O painel ‘Digital Economy: Strengthening Bonds Between Portugal and the USA’ – no âmbito do Portugal Digital Summit’23 – uma organização da AICEP, de quem o Jornal Económico é media partner – tratou de esclarecer a questão.

Num debate de ideias sobre o tema, moderado pelo subdiretor do Jornal Económico, Nuno Vinha, Teresa Fiúza, vice-presidente da Portugal Ventures, explica a chave para o sucesso. “Temos que nos tornar competitivos ou apetecíveis para que os Estados Unidos olhem para nós. E temos que mostrar empreendedorismo, dar-lhes palco”. Filipe Santos Costa, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) concorda e completa, com o exemplo da sustentabilidade que será tema em debate num fórum económico em Nova Iorque, promovido pela agência que preside. “Focado nessa área, acaba por fazer a transição de como Portugal tem estado a promover-se e como a AICEP tem promovido o país”, quer pelo sucesso na vertente energética, alavancando o investimento na indústria verde, e também na própria transição digital que, “casado com esse sucesso da transição energética, permite a atração dos grandes players locais”.

Teresa Fiúza aborda também a importância da interacção já existente com os Estados Unidos para a abertura de portas e consequente afirmação de novas startups. Lembra que do portefólio atual da Portugal Ventures, “que são mais de 150 empresas, 40 delas já têm relações com os Estados Unidos ou mudaram para lá parte da equipa, incluindo o CEO, ou acabaram por contratar lá também”. Parte delas, ainda segundo a responsável da Portugal Ventures, opta por “fazer negócios ou scouting” já de forma estratégica. Isto permite criar novas oportunidades do ponto de vista negocial e tendo em vista o crescimento.” As oportunidades existem. Oportunidades de acesso e de receber dinheiro à séria”, sustenta. E o importante será saber criá-las e aproveitá-las quando surgem.

Já o líder da AICEP, Filipe Santos Costa, lembra que a empresa já conta com delegações em grandes cidades norte-americanas, como são os casos de San Francisco, Nova Iorque e Chicago e que servem de veículo de promoção para as empresas nacionais. “Fazemos os possíveis para preparar os empreendedores e as empresas portuguesas, sem medo de que elas deslocalizem para os Estados Unidos porque é aí que elas vão conseguir entrar no mercado global e alavancar capital, que depois poderão investir até mesmo em Portugal”.

Haverá muito mais a fazer mas o caminho parece estar bem definido e contará com o importante contributo das universidades. Segundo Teresa Fiuza, “as universidades preparam muito bem os empresários, os investigadores e empreendedores do amanhã, preparam-nos tecnicamente muito bem”. Mas será importante transportar para a equação as grandes empresas, as “Corporate”, acrescenta. “Neste momento já existe um respeito mútuo e equilíbrio” entre as startups e as grandes empresas mas, no passado, isso não acontecia. Agora percebem que podem retirar vantagens se estreitarem laços. Do ponto de vista das startups, “obtendo feedback, testando produtos, e atrair clientes”. Quanto às grandes empresas, “poderão tornar-se mais ágeis e perceber como, se não mudarem nada, o seu negócio poderá estar em causa”. Em suma, é bom ter “um ambiente saudável em todo este ecossistema”.

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