Dona da Louis Vuitton afunda na bolsa após falhar estimativas do trimestre

Presidente e CEO da LVMH, Bernard Arnault, assume que "os resultados do primeiro semestre do ano refletem a notável resiliência da LVMH", tendo sido impactados pelo "clima de incerteza económica e geopolítica" sentido desde o início do ano.  

Dona da Louis Vuitton afunda na bolsa após falhar estimativas do trimestre
Consumo Luxo Louis Vuitton

As ações da gigante de luxo Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH) estão a afundar na bolsa de Paris, depois da empresa revelar uma quebra de lucros na ordem dos 14% no primeiro semestre, para 7,3 mil milhões de euros. Os títulos da cotada de luxo estão a perder 4,15% para 662,90 euros pelas 9h50 da manhã.

No entanto, os meios de comunicação internacionais dão conta de uma queda superior a 6% nas negociações da cotada. Caso as quedas se acentuem, esta poderá ser a maior quebra diária desde outubro do ano passado, quando as vendas do segundo trimestre falharam as estimativas inicialmente apresentadas.

A gigante do luxo revelou que as vendas caíram 1,1% em termos homólogos no segundo trimestre do ano para 20,98 mil milhões de euros, abaixo das estimativas de 21,6 mil milhões de euros dos analistas.

Em comunicado, o presidente e CEO da LVMH, Bernard Arnault, assume que “os resultados do primeiro semestre do ano refletem a notável resiliência da LVMH, apoiada pela forma das suas maisons e pela capacidade de resposta das suas equipas num clima de incerteza económica e geopolítica”.

De facto, o relatório mostra que o segmento de vinhos e bebidas espirituosas caiu 9% em termos de receitas, a moda e marroquinaria apresentou um crescimento de 1%, os perfumes e cosméticos aumentaram 6%, a relojoaria e joalharia tiveram um declínio de 3% e o retalho seletivo teve um crescimento de 8%.

“Impulsionados como sempre pelo nosso duplo foco na conveniência e na responsabilidade, continuámos a trabalhar para alcançar os objetivos definidos nos nossos programas de ação ambiental e social”, sustenta o relatório e contas, lembrando que a LVMH é patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Paris 2024 e que estes eventos serão “uma oportunidade para França brilhar na cena mundial”.

Sustenta a gigante do luxo que a quebra nos lucros se sentiu devido à desaceleração económica da China e repressão de Pequim à demonstração de riqueza, o que levou algumas marcas a cair. As vendas na Ásia (que excluem o Japão) caíram 14% entre abril e junho, pressionando ainda mais o declínio de 6% nos primeiros três meses do ano.

Já o free cash flow (fluxo de caixa livre operacional) ultrapassou os três mil milhões de euros no primeiro semestre de 2024, um valor que representa um aumento significativo em termos homólogos. O mercado europeu e norte-americano deu algum impulso às contas do grupo que agrupa mais de 75 marcas de luxo .

Apesar de números pouco satisfatórios para o grupo de luxo, o CEO mostrou-se otimista em relação ao segundo semestre do ano. O mesmo não se pode dizer das negociações bolsistas, uma vez que os títulos da empresa caíram perto de 20% no último ano, impactando o seu valor.

Com as ações a perder terreno num dia ‘vermelho’ para Paris, a LVMH conta com uma capitalização bolsista na ordem dos 327,28 mil milhões de euros.

LVMH não anima luxo

A LVMH não é a única empresa de luxo a perder fulgor na sessão desta quarta-feira. De facto, a dona da Louis Vuitton está a levar à queda do sector do luxo nas bolsas.

Mostra disso é o facto da Hermès estar a recuar perto de 3% e a Kering (dona de marcas como Gucci, Balenciaga e Yves Saint Laurent) estar a perder mais de 4%.

Diz o calendário económico que a Kering apresenta contas às vendas e lucros do segundo trimestre após o fecho do mercado francês, enquanto a Hermès só irá apresentar contas amanhã. Estima-se que estas duas empresas também tenham sido impactadas com a desaceleração económica na China, após a pandemia e a contenção financeira de muitos consumidores.

Relacionado