Os últimos episódios de violência civil em França, motivados pela morte do jovem Nahel Merzouk em Nanterre, vão aumentar as preocupações das empresas especializadas em seguros de greves, rebeliões e protestos civis (SRCC – Strike, Riot & Civil Commotion) em todo o mundo, prevê a DBRS.
A agência de notação financeira estima que os impactos atinjam mesmo os seguros mais tradicionais das seguradoras que ainda têm essas coberturas nas apólices normais, embora as perdas seguradas totais devam conseguir ser geridas pela indústria de seguros francesa.
“Acreditamos que o total de perdas para o sector dos seguros francês deve permanecer bem abaixo da marca de mil milhões de euros. Além disso, prevemos que as perdas diretas devido aos protestos permanecerão geríveis para a maioria das seguradoras francesas, com impacto limitado nos seus perfis de crédito devido às proteções de resseguro em vigor e à responsabilidade parcial do Estado francês por algumas das perdas”, prevê o responsável global de seguros da agência canadiana.
Segundo Marcos Alvarez, “dada a crescente materialidade das perdas recentes do SRCC”, a DBRS Morningstar espera “que as seguradoras e resseguradoras continuem a aplicar diretrizes de subscrição mais rígidas nas jurisdições mais conflituosas, incluindo a redução da disponibilidade dessas coberturas”.
A DBRS lembra que a França tem tido alguns episódios de distúrbios civis nas últimas duas décadas, incluindo os de novembro de 2005, quando mais de 10 mil veículos foram queimados e mais de 300 prédios públicos e privados ficaram danificados. A Federação Francesa de Companhias de Seguros (Fédération Française de Sociétés d’Assurances) estimou que as indemnizações desse ano totalizaram os 270 milhões em euros (à cotação atual).
Neste caso, o valor continuará a ser inferior. Porém, a DBRS acredita que vai alterar a estratégia de negócio destas organizações, porque as seguradoras vão deixar de considerar o SRCC uma cobertura acessória, passando a ser visto como um risco primário sujeito a limites e preços rigorosos.
Aliás, não é só em França. De acordo com estes especialistas, a rápida propagação de distúrbios civis em vários países está a forçar seguradoras e resseguradoras a considerar a natureza potencialmente catastrófica de eventos de confronto civil.
Na terça-feira, Nahel Merzouk, de 17 anos, foi morto pela polícia depois de uma operação de controlo de trânsito. O jovem estaria a conduzir na faixa dos autocarros, tendo sido mandado parar pela polícia, embora não obedecesse à ordem, segundo os relatos do Ministério Público francês. O agente da polícia suspeito da morte está agora em prisão preventiva.