Delegação de Kiev viaja para nova ronda de negociações com Rússia e EUA

"A caminho de Genebra", escreveu um dos enviados de Kiev, o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kirill Budanov, na rede social, acrescentando que aproveitaria a viagem de comboio para falar com os restantes membros da delegação sobre "as lições" da história ucraniana e "procurar as conclusões corretas".

Delegação de Kiev viaja para nova ronda de negociações com Rússia e EUA
Situation in Ukraine after beginning of Russian attack

A delegação da Ucrânia viajou hoje para a cidade de Genebra, na Suíça, para participar na terceira ronda de conversações trilaterais com a Rússia e os EUA, que começa na terça-feira.

“A caminho de Genebra”, escreveu um dos enviados de Kiev, o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kirill Budanov, na rede social, acrescentando que aproveitaria a viagem de comboio para falar com os restantes membros da delegação sobre “as lições” da história ucraniana e “procurar as conclusões corretas”.

Tal como o resto da população, a delegação da Ucrânia só pode viajar para o estrangeiro de comboio ou por terra devido ao encerramento do espaço aéreo provocado pela invasão lançada pela Rússia em fevereiro de 2022.

“A Ucrânia tem de salvaguardar os seus interesses”, concluiu Budanov.

O dirigente também uma fotografia em frente ao comboio com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Sergi Kislitsya, e o vice-chefe dos serviços de informação militar do país, Vadim Skibitsky, que também fazem parte da delegação.

Durante as duas rondas anteriores de negociações trilaterais, realizadas nos Emirados Árabes Unidos este ano, a delegação russa foi composta inteiramente por militares.

Mas Moscovo nomeou o conselheiro cultural e ideólogo do Kremlin, Vladimir Medinsky, como chefe da equipa para as negociações em Genebra.

O regresso de Medinsky — que foi o principal enviado do Kremlin em reuniões anteriores — à equipa de negociação russa sugere que mais questões políticas e ideológicas serão abordadas em Genebra.

O principal obstáculo a um acordo nas duas rondas anteriores foi a divisão da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, da qual mais de 75% é controlada pela Rússia.

Moscovo exige que os ucranianos entreguem o território que ainda controlam para pôr fim à guerra, uma exigência que Kiev rejeita.

No sábado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou ter falado, via telefone, com o enviado norte-americano Steve Witkoff e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, antes da ronda de negociações em Genebra.

“Contamos com reuniões verdadeiramente produtivas”, disse Zelensky, numa mensagem publicada nas redes sociais.

O líder ucraniano afirmou também que as conversações de Genebra devem produzir resultados e agradeceu aos Estados Unidos pela sua atitude construtiva ao facilitar as negociações.

“É importante que haja avanços nas questões das garantias de segurança e da recuperação económica”, escreveu igualmente Zelensky.

Além do acordo de paz que também deve ser aceite pela Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos estão a preparar outros dois documentos pelos quais Washington se compromete a oferecer garantias de segurança a Kiev e a contribuir para a recuperação económica da Ucrânia após a guerra.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

A ofensiva militar russa no território ucraniano mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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