Deborah Stratman, a artista e cineasta americana que escapa aos rótulos fáceis

Deborah Stratman é uma das autoras em foco na 31.ª edição do Curtas de Vila do Conde e a “convidada inesperada” da Solar – Galeria de Arte Cinemática já a partir de dia 8 de julho.

Deborah Stratman, a artista e cineasta americana que escapa aos rótulos fáceis
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A Solar – Galeria de Arte Cinemática, no âmbito da parceria com o Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, inaugura a 8 de julho uma exposição dedicada à artista e cineasta de Chicago, onde as obras reunidas serão exibidas pela primeira vez em Portugal.

Deborah Stratman explora paisagens e sistemas, e a sua prática artística abarca diversos media, nomeadamente imagem em movimento à fotografia, escultura, desenho ou instalação. Por várias razões, é um trabalho difícil de rotular, dado esse mosaico de cruzamentos e, talvez por isso, as suas criações tanto marquem presença em festivais de cinema como Roterdão ou Sundance, como em galerias e museus, caso do MoMA e do Centro Pompidou. Qualquer que seja o suporte, Deborah Stratman pretende, acima de tudo, questionar aquilo que está subjacente às coisas mundanas, às rotinas e comportamentos.

Como refere a crítica de cinema Devika Girish na apresentação de “Unexpected Guests”, os tais convidados inesperados de que se faz a exposição na Solar, “as referências à história do cinema são recorrentes no seu trabalho, assim como o fascínio pela mecânica da produção audiovisual, muitas vezes moldado pelo reconhecimento de que a realização de filmes não é assim tão diferente da mediação da realidade pelo Estado e outros instrumentos de poder”.

Mais recentemente, Stratman tem-se focado nas narrativas sobre evolução e extinção, apresentando a geobiosfera como um lugar de possibilidade evolutiva, onde os humanos desaparecem, mas a vida perdura. “Quero trabalhar com assuntos que me resistem, ser atormentada por ideias, estar disposta a arriscar por elas, movida por elas, é isso que me dá alento”, refere a artista no âmbito desta exposição.

Sem esquecer o cinema, acrescenta: “Quero que o meu trabalho questione a sua própria função social enquanto permanece esteticamente sedutor. Faço cinema pelo prazer de criar um universo temporal”.

 

 

Fazer a ponte entre os territórios do Cinema e das Artes Visuais

A escolha de Deborah Stratman enquanto “convidada inesperada” está em linha com um dos objetivos da programação da Solar, em diálogo com o Curtas Vila do Conde, que decorre de 8 a 16 de julho. Isto é, fazer a ponte entre os territórios do Cinema e das Artes Visuais, assim como potenciar sinergias entre os dois projetos, revelando aspetos menos conhecidos da obra de artistas/cineastas de referência e de maior importância no panorama internacional.

Neste contexto, foi dada Carta Branca à realizadora na seleção de filmes que a tenham marcado e influenciado. O leque escolhido inclui “Wanda” (1970), de Barbara Loden, um marco do cinema independente nos Estados Unidos; “Dubbing” (2006), de Antje Ehmann e Harun Farocki; e “Noon” (1969), de Helena Solberg.

Deborah Stratman irá também orienta uma masterclass intitulada “Radical listening”, na qual irá explorar o potencial do som e o áudio como motor e criador de espaço. O 31º Curtas, apresenta ainda um programa paralelo dedicado à sua obra cinematográfica, numa singela celebração da relação de longa data com o Festival.

Refira-se, aliás, que tem sido presença assídua nas seleções do Curtas Vila do Conde. Nove dos seus filmes integraram secções de competição, tendo conquistado por duas vezes, em 2003 – “In Order not to be Here” – e 2014 – “Hacked Circuit” –, o Prémio da Competição Experimental.

Destaque ainda para dois cine-concertos: os alemães Bohren and the Club of Gore atuam tendo como pano de fundo o filme “Le Révélateur” (1968), de Philippe Garrel, e a belga Miaux irá acompanhar “O circo das almas” (1962), de Herk Harvey, ao som de música eletrónica.

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