A voragem atual leva-nos a crer que os anos 90 do século passado são já uma era remota. Será mesmo assim? Temos dúvidas quando ouvimos a mais recente proposta da banda alemã que em meados dessa mesma década deu ao mundo um registo nu jazz, no qual as percussões afro e os arranjos de música clássica conviviam num ritmado frenesim.
De regresso a Portugal, os Jazzanova trazem na bagagem não só um novo álbum, “Strata Records – The Sound of Detroit – Reimagined by Jazzanova”, como um convidado muito especial, DJ Amir, da dupla Kon & Amir. A combustão que vai subir ao palco no dia 16 de dezembro, do Centro Cultural de Vila Flor (CCVF), em Guimarães, é o resultado do encontro do coletivo berlinense com DJ Amir, dando nova vida a onze temas escolhidos a dedo do catálogo da editora Strata.
Esta não é uma banda qualquer, mas sim um grupo de DJs que se juntou em 1995 sem saber o que daí poderia resultar. As regras foram inventadas pelo caminho, pois a ideia não era aderir a um som em particular, nem sequer à técnica A, B ou C. A ideia era tornar uma equipa prolífica em remixes numa produtora que é também um coletivo de programadores, curadores e apresentadores de rádio.
Alex Barck, Claas Brieler, Axel Reinemer, Jürgen von Knoblauch e Stefan Leisering são os mastermind dos Jazzanova, e na sua tripla passagem por Portugal – além de Guimarães, também atuam no dia 15 em Lisboa e a 17 no Porto –, cinco anos depois da última visita, no âmbito de “The Pool”, álbum que rubricaram em 2018 – todos os holofotes vão apontar ao álbum editado pela BBE Music em abril do ano passado.
E se a nova encenação de Raquel Castro não remete para remixes, remete para histórias que nos podem tirar o sono. A árvore genealógica de Raquel Castro é o ponto de partida de “As Castro”, a peça que no dia 15 de dezembro estará em cena no CCVF.
“300 pessoas, a maior parte delas mortas, com os seus nomes, lugares onde viveram e profissões, dão o mote para escarafunchar as histórias desta família. Vai falar-se de muitas mães. De mães de mães, de mães de filhas. E claro, de maridos e de pais, do tempo que era outro, e deste lugar que vem sendo Portugal”.
A pesquisa, conta Raquel Castro no palco, começou por algo muito prosaico, a sua certidão de nascimento. Seguiu-se a certidão de cada um dos progenitores e toda uma panóplia de documentos que a ajudaram a recuar no tempo e a explorar a árvore da família para nela se encontrar e reconhecer.
No elenco figura ainda outra “Castro”, Sara de Castro, Tânia Alves, Sara Inês Gigante e Tónan Quito, além de Raquel Castro, que se estreou como atriz em 2008 e como encenadora em 2013. Nesta peça mantém a linha que tem explorado em espetáculos anteriores, como “Os Dias São Connosco”, “Turma de 95” ou “A Morte de Raquel”.