DBRS vê preço do barril de petróleo nos 68 dólares este ano

"Estejam preparados para outro ano de turbulência", avisa a DBRS sobre a volatilidade nos preços do gás e do petróleo. A guerra na Ucrânia e o embargo à Rússia vão marcar o ano energético. Baixas reservas de petróleo e gás nos países da OCDE são motivo de preocupação.

DBRS vê preço do barril de petróleo nos 68 dólares este ano
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A DBRS prevê que o preço médio do barril de petróleo atinja os 68 dólares este ano, abaixo dos 98 dólares registados em 2022.

“A procura por petróleo vai abrandar devido a uma esperada queda modesta na atividade económica global em 2023. Contudo, inventários mais baixos de produtos refinados e de crude devem acrescentar alguma pressão aos preços da procura mais baixa”, segundo a nota hoje divulgada pela DBRS.

A DBRS prevê que o preço médio do barril de petróleo atinja os 68 dólares este ano, abaixo dos 98 dólares registados em 2022. Para 2024, espera uma queda de 63 dólares, isto no cenário base. Já no cenário de preços baixos, espera preços de 48 dólares em 2023 e 2024.

Como se sabe, o ano de 2022 ficou marcado para um excesso de volatilidade no preço do petróleo e do gás, e a DBRS espera o mesmo cenário este ano: “estejam preparados para outro ano de turbulência”.

O ano passado ficou marcado pelo disparo nos preços após a invasão russa da Ucrânia e o início do fim das compras de petróleo e gás a Moscovo num momento em que a procura global atingiu níveis pré-pandemia. Na reta final do ano, os preços recuaram para níveis do início do ano, com preocupações sobre o impacto da recessão este ano e das medidas anti-Covid da China.

O que é que vai impactar os preços de petróleo em 2023? Em primeiro, a continuação da guerra na Ucrânia para repelir a invasão russa e as sanções recentemente impostas pela União Europeia às compras de petróleo à Rússia, via marítima, a par do teto de preços ao petróleo e gás russo.

Há um ano, a Rússia era o segundo maior exportador mundial de crude, cinco milhões de barris por dia, e era o maior exportador mundial, combinando crude e produtos refinados: oito milhões de barris por dia. Por dia, o mercado mundial consome 100 milhões de barris.

O ranking de maior exportador mundial é liderado pela Arábia Saudita: 7,5 milhões de barris de crude por dia (mbd), com o Iraque a ser o terceiro maior (3,5 mbd). Com os embargos a atingirem a Rússia, Moscovo começou a vender mais petróleo à China e à Índia.

Para este ano, “caso a guerra persista, e se as sanções, embargos e tetos de preços afetarem ainda mais as exportações de crude e produtos refinados da Rússia, os mercados podem ficar mais apertados, causando um aumento dos preços do petróleo e do gás. Os baixos inventários nos países da OCDE podem acentuar este aumento”, avisa a DBRS.

Sobre a OPEP, a agência aponta que vai ser crucial a vontade da organização de estabilizar o mercado e os preços do petróleo. Até agora, este objetivo tem sido difícil, pois vários países dentro da OPEP+ não conseguem atingir as metas previstas. “A OPEP+ tem uma capacidade limitada de acrescentar mais volumes no evento de que o mercado fique mais apertado”.

Já os preços de gás natural também deverão continuar voláteis, sinaliza a agência, apesar de terem caído face ao período após o início da invasão russa.

“A Europa continua a procurar novas fontes de fornecimento de gás enquanto as exportações russas vão caindo. A União Europeia dependia fortemente do gás russo. Antes da invasão russa da Ucrânia, a Rússia era responsável de 40% do gás na UE, através de gasodutos. A segunda maior fonte via gasodutos era a Noruega (entre 20% a 25%), seguida da Argélia (10%). À medida que os abastecimentos de gás russo recuaram, a Noruega agora é responsável por 50% do gás natural enviado através de gasodutos para a UE” que também está a importar mais gás natural liquefeito (GNL) (30% das importações da UE agora) dos EUA, Qatar e Nigéria entre outros países. Antes da guerra, a Rússia também exportava GNL para a UE, mas as exportações caíram para níveis residuais.

“A escala de um abrandamento económico e o quão quente ou frio este inverno no hemisfério norte pode ser vai ter um impacto importante nos preços de gás natural”, escreve a DBRS.

As empresas de gás e de petróleo aproveitaram os “preços robustos e priorizarem empregar o excesso de cash flow (após Capex e dividendos) para pagar dívidas e devolver capital aos acionistas”. Para as companhias seguidas pela DBRS, os balanços e os indicadores financeiros são os “mais fortes” em anos.

As empresas seguidas pela DBRS esperam aumentar em média o seu investimento em 15% este ano. “Dado o ambiente favorável de preços, o aumento proposto de Capex, é relativamente modesto e reflete o foco contínuo das empresas na disciplina de capital”, segundo a agência, que destaca que o aumento dos custos ambientais e as pressões regulatórias são uma fatia importante do aumento dos orçamentos.

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