António José Seguro foi eleito, na passada noite de domingo, como o próximo Presidente da República, estando a sua tomada de posse marcada para 9 de março.
Apesar da vitória expressiva que registou (66,82% dos votos contra 33,18% de André Ventura), o novo Presidente pode ter uns anos difíceis e com grandes desafios no seu mandato. Aliás, o ainda Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa vaticinou, ainda antes do sufrágio, que o próximo inquilino de Belém “vai ter tarefa mais difícil”. A começar pelas altearações propostas por Luís Montenegro para a legislação laboral. O vencedor das eleições revelou durante a sua campanha que não aprovava o documento da revisão laboral como foi apresentado pelo Governo, sublinhando que este “não resolve nenhum problema, pelo contrário, vem criar mais instabilidade social”.
Este pode ser um dos assuntos a abrir o primeiro conflito entre Presidente e Governo, depois de uma campanha onde apelou à estabilidade governativa e afirmou que a legislatura “não” será interrompida por si.
Esta estabilidade também pode ser abalada pelo derrotado da noite de domingo, André Ventura, que se autointitulou de líder da direita, e que deve voltar à Assembleia da República com maior agressividade. Ou seja, o novo Presidente pode não causar a queda do Governo, mas a instabilidade pode chegar via outros partidos, uma vez que o Governo de Luís Montenegro não tem maioria parlamentar para governar.
A relação com o Governo vai estar na mira dos portugueses, mas não só. A relação entre o novo Presidente e o Partido Socialista, uma vez que está de volta ao Palácio de Belém passados 20 anos.
Saúde
A saúde vai ser outro dos pilares desafiantes do novo Presidente. Uma área que tem sido alvo de duras e recorrentes críticas, e que se tornou um dos principais temas durante os primeiros dias de campanha.
Seguro defende que “não pode faltar dinheiro para cuidar da saúde dos portugueses”, tendo deixado o apelo a que os partidos coloquem esta temática no centro da governação através de um pacto de regime setorial.
Para tal, o agora Presidente defende que se tem de criar condições para “que os partidos se juntem em volta de uma mesa para que cada um contribua com soluções concretas”, deixando a garantia que disponibilizará o Palácio de Belém.
Defesa e Segurança
A defesa e segurança são outros pontos sublinhados pro Seguro durante a sua campanha eleitoral, sendo que este será o tema do seu primeiro Conselho de Estado que deverá ocorrer em março, segundo declarações suas.
O final da sua campanha foi marcado pelas várias tempestades que afetaram várias localidades e pessoas. Seguro afirmou, na noite eleitoral, que não aceitava “burocracias que atrasem a chegada dos apoios”. Aliás, já na manhã seguinte à sua eleição, o Presidente eleito passou a manhã desta segunda-feira ao telefone com os autarcas das zonas afetadas pelas recentes tempestades. Em comunicado aos jornalistas indicou que falou com os presidentes da Câmara de Alcácer do Sal, Montemor-o-Velho, Pombal, Golegã, Leiria e Arruda dos Vinhos e o Presidente da junta de freguesia da Ereira (Montemor-o-velho) que permanece sem acesso terrestres.
Habitação
Outro dos assuntos abordados durante a campanha por António José Seguro foi a habitação. O Presidente eleito referiu várias vezes que estar atento aos desafios no acesso à habitação, que continua a ser um dos problemas do país, afirmou. As condições de vida dos mais jovens e a desigualdade desigualdade salarial entre homens e mulheres, foram outros temas abordados amiúde por António José Seguro.