Crise dos combustíveis ainda sem impacto nas autoestradas, mas incerteza mantém-se, diz Brisa

A Brisa não está, para já, a sentir efeitos da crise energética na circulação das autoestradas, apesar do contexto de subida dos preços dos combustíveis e das recomendações para reduzir deslocações, mas "o mundo está um pedacinho imprevisível", afirma António Pires de Lima

Crise dos combustíveis ainda sem impacto nas autoestradas, mas incerteza mantém-se, diz Brisa
antónio pires de lima

A atual crise energética e a subida dos preços dos combustíveis ainda não estão a ter impacto relevante no tráfego das autoestradas em Portugal, diz António Pires de Lime, CEO do Grupo Brisa, em declarações aos jornalistas à margem do evento de celebração dos 35 anos da Via Verde, que admite, no entanto, um cenário de elevada incerteza para os próximos meses.

De acordo com António Pires de Lima, presidente da Brisa, a circulação rodoviária mantém-se estável, apesar das pressões sobre os custos da mobilidade. “Não estamos, pelo menos até agora, a sentir na circulação das autoestradas o impacto desta crise dos combustíveis fósseis”, afirmou.

O responsável sublinha, contudo, que o comportamento futuro é imprevisível. “Não lhe consigo antecipar o que vai acontecer nos próximos meses. O mundo está um pedacinho imprevisível”, acrescentou.

Apesar das recomendações, a nível europeu, para a redução de deslocações em contexto de aumento dos custos energéticos, a Brisa defende que a mobilidade continua a ser um elemento essencial da economia e da qualidade de vida. “É evidente que se há uma crise do petróleo neste momento e ameaça de escassez e de aumento de preços, é normal que existam orientações e conselhos no sentido das pessoas evitarem as deslocações que não são necessárias, mas, como vimos aquando da pandemia, não existe felicidade sem mobilidade. Não existe qualidade de vida sem mobilidade”, considera.

Ainda assim, o grupo reconhece que poderão existir momentos pontuais de retração na procura, sobretudo em cenários de agravamento da crise energética. Porém, para já, outros fatores têm tido maior impacto no tráfego.

“O que mais afeta a circulação dos portugueses nas autoestradas é o clima”, destacou Pires de Lima, apontando as tempestades registadas no início do ano como responsáveis por uma redução da mobilidade nos primeiros meses, nomeadamente o corte de circulação na A1, a principal autoestrada do país.

A Brisa considera que, embora o aumento dos custos dos combustíveis possa influenciar comportamentos no curto prazo, a procura por mobilidade tende a manter-se resiliente, refletindo a sua ligação estrutural à atividade económica.

Num contexto de transição energética, o grupo tem vindo a reforçar a aposta na mobilidade sustentável, nomeadamente através da expansão da rede de carregamento elétrico nas autoestradas, procurando responder às novas exigências do setor.

Para já, o impacto da crise energética nas autoestradas permanece limitado, mas a evolução dos preços e do contexto internacional será determinante para o comportamento dos utilizadores ao longo do ano.

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