‘Criptobanco’ Silvergate perdeu tudo e vai mesmo fechar portas

A instituição financeira sediada nos EUA já tinha avisado para os riscos de se ver forçada a encerrar as operações e agora já é oficial que vai mesmo fazê-lo. O investimento avultado em criptoativos e a falência da FTX provocaram perdas elevadíssimas. No caso do quarto trimestre do ano passado, foram mil milhões de dólares em perdas.

‘Criptobanco’ Silvergate perdeu tudo e vai mesmo fechar portas
Imagem: Pavlo Gonchar/Sopa Images/Rex/Shutterstock

O banco norte-americano Silvergate vai liquidar toda a sua operação depois dos prejuízos acentuados que resultaram da compra e venda de criptomoedas. O investimento de grande parte dos seus fundos num mercado extremamente volátil, imprevisível e sem regulamentação, variáveis que geram o elevado risco que está associado aos criptoativos. A FTX, empresa falida cuja atividade era focada em criptomoedas, era uma das clientes daquela instituição financeira.

No início deste mês de março, a empresa comunicou à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) os receios sobre a possibilidade de a empresa se ver forçada a fechar portas, devido a sucessivas perdas financeiras, que culminaram com o colapso da FTX nas contas do Silvergate, já que os dois eram clientes.

Na sequência de perdas na ordem dos mil milhões de dólares no quarto trimestre do ano passado, de acordo com os resultados apresentados, o comunicado que apontava para os receios sobre a capacidade da empresa para se manter em funcionamento. O resultado imediato foi a queda a pique do valor dos títulos do Silvergate, com os mercados a anteverem o pior cenário.

Os responsáveis fizeram saber, esta quinta-feira, que a situação é realmente insustentável, pelo que a liquidação de toda a operação será o próximo passo, depois de um quarto de século de história e cerca de uma década como banco ‘cripto’.

“O banco Silvergate é conhecido como o principal canal de pagamento de criptomoedas, ligando a indústria cripto com o sistema bancário tradicional. Um intermediário que tira partido do melhor de ambos os mundos”, de acordo com o analista da XTB Gonçalo Bofill.

“As empresas denominadas ‘crypto’ têm utilizado o Silvergate para processar transações relacionadas com criptomoedas. Contudo, o banco tem sofrido com a fuga da maioria dos seus clientes e os seus depósitos são no mínimo. Especificamente, os depósitos relacionados com a moeda criptográfica caíram 68% no último trimestre de 2022”, refere.

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