Num ano marcado pela volatilidade macroeconómica e tensões geopolíticas, o Grupo Crédito Agrícola (CA) obteve um resultado líquido de 289,0 milhões de euros, que traduz redução homóloga de 34% (justificada pela quebra de 127,6 milhões na margem financeira e pelo aumento de imparidades), posicionando a rentabilidade de capitais próprios (ROE) em 9,7%.
A principal pressão veio da margem financeira, que caiu 16,3% para 655,4 milhões de euros (-127,6 milhões de euros), reflexo da redução das taxas Euribor (que baixaram entre 105 e 139 pontos base dependendo do prazo) e da compressão de spreads no crédito novo. Acresce um reforço significativo de imparidades e provisões (64,3 milhões de euros em 2025 contra apenas 1,5 milhões em 2024), o que elevou o custo do risco de crédito para 0,31% (+50 pontos base face ao ano anterior).
Em comunicado o CEO, Sérgio Frade, diz que “em 2025, num contexto marcado pela persistente redução das taxas de juro e pela elevada incerteza macroeconómica, decorrente das tensões geopolíticas e do agravamento das tarifas alfandegárias, o Grupo CA reafirmou a solidez do seu modelo de negócio, alcançando 289 milhões de euros de resultado líquido e uma rendibilidade dos capitais próprios de 9,7%.
O Grupo CA consolidou a sua posição de mercado, reforçando as quotas de mercado no crédito e nos depósitos para 6,1% e 8,3%, respetivamente, apoiados numa estratégia de proximidade e na confiança demonstrada pelos clientes e associados”.
Na conta de resultados o Grupo registou um aumento de 5,2% nas comissões líquidas que ascenderam a 167,1 milhões de euros em 2025. A evolução verificada decorre essencialmente do crescimento de 10,3% das comissões referentes a emissão e pagamentos relacionados com cartões (+6,9 milhões de euros), bem como das comissões de transferências de valores (+1,8 milhões de euros, ou +24,4%). O banco diz que estes efeitos foram parcialmente atenuados pelo decréscimo em 3,5% das comissões de operações de crédito (-1,7 milhões de euros), bem como pelo aumento das comissões pagas (+1,4 milhões de euros ou +5,0%), para o qual concorreram os custos da emissão obrigacionista de 500 milhões de euros levada a cabo em janeiro de 2025.
Por sua vez os resultados de contratos de seguros diminuíram 15,9% face a dezembro de 2024, para 97,2 milhões de euros em 2025, “tendo em conta o impacto positivo não recorrente registado na CA Vida no final de 2024, decorrente de uma alteração da contabilização da componente de investimento dos resgates e vencimentos de seguros de capitalização, que teve lugar no final de 2024, condicionando a comparabilidade com o exercício de 2025”, explica o Grupo CA.
Os outros resultados ainda foram negativos, ascenderam a -16,4 milhões de euros em 2025, mas menos negativos que um ano antes, já que compara com -26,6 milhões de euros no período homólogo.
Esta variação é explicada sobretudo pelo reconhecimento de proveitos no montante de 6,6 milhões de euros, relacionados com o reembolso do Adicional de Solidariedade que tinha sido cobrado ao setor bancário português em períodos anteriores, na sequência da declaração de inconstitucionalidade deste imposto pelo Tribunal Constitucional.
As contribuições obrigatórias que recaem sobre o setor bancário mantiveram-se estáveis face ao ano de 2024, cifrando-se em 9,9 milhões de euros.
Assim, o produto bancário registou, como tal, em 2025, uma queda homóloga de 11,2%, correspondente a -118,9 milhões de euros, para 938,2 milhões de euros.
Os custos de estrutura atingiram 489,6 milhões de euros em 2025, o que representa um aumento de 6,7% (+30,8 milhões de euros) face ao ano anterior. Este crescimento foi impulsionado sobretudo pelos custos com pessoal, que subiram 6,9% (+19,0 milhões de euros) devido a atualizações salariais no primeiro trimestre, ao reforço da equipa para 4.435 colaboradores e ao pagamento de prémios de desempenho, explica o banco.
Paralelamente, os gastos gerais administrativos aumentaram 7,2%, fixando-se em 155,2 milhões de euros, com destaque para a subida nos serviços de informática e honorários.
Como resultado do aumento dos custos operacionais e da performance do produto bancário, o rácio de eficiência agravou-se em 8,8 p.p., atingindo os 52,2%.
Crédito à habitação jovem ajuda balanço do Grupo CA
O Grupo Crédito Agrícola continuou a ganhar terreno no mercado português, com os depósitos de clientes a crescerem 8,2% para 23.820 milhões de euros, o que elevou a quota de mercado para 8,3%. Simultaneamente, a carteira de crédito bruto a clientes avançou 7,9%, atingindo os 13.747 milhões de euros, um desempenho que superou o crescimento do setor e reforçou a quota para 6,1%.
Neste capítulo, destacou-se o crédito à habitação com uma subida de 13,0%, impulsionada pelo segmento jovem com garantias públicas, enquanto o rácio de transformação permaneceu praticamente estável nos 56,3%.
A evolução favorável verificada no segmento de crédito habitação no valor de 455,9 milhões de euros (ou +13,0%) face ao final de 2024 confirma o crescimento do segmento de crédito habitação pelo sétimo trimestre consecutivo, prosseguindo com a trajetória de recuperação verificada desde o início de 2024.
O Crédito Agrícola disponibiliza também crédito habitação ao segmento jovem, no âmbito do esquema de garantias públicas em vigor, cabendo ao Crédito Agrícola um montante total de 34,6 milhões de euros de garantias públicas. O banco liderado por Sérgio Frade revela que até 31 de Dezembro de 2025, tinham sido concedidos 164,6 milhões de euros de crédito habitação a jovens, correspondendo a 979 contratos e a 23,6 milhões de euros de garantia pública. A quota de mercado em crédito concedido a clientes (total) registou o valor de 6,1% no final de 2025.
Em dezembro de 2025, o Grupo Crédito Agrícola consolidou o seu crescimento com os depósitos bancários a atingirem 23.820 milhões de euros (uma subida de 8,2%), enquanto os recursos em seguros e fundos de investimento aumentaram 13,4% para 2.554 milhões de euros.
No lado do ativo, o crédito líquido cresceu 991 milhões de euros, fixando-se nos 13.412 milhões de euros, evolução que permitiu manter o rácio de transformação estável nos 56,3%.
O Grupo Crédito Agrícola encerrou 2025 com uma melhoria expressiva na qualidade dos seus ativos, impulsionada pela descida das taxas de juro e por uma gestão estratégica de risco.
A exposição em Stage 3 (incumprimento) caiu para 3,1% (-0,9 p.p.), resultado do abate ao ativo de 55 milhões de euros em créditos incobráveis e da recuperação de 131 milhões de euros em crédito de empresas que voltaram ao cumprimento. Paralelamente, o Stage 2 (risco acrescido) registou uma descida acentuada de 10,9% para 7,9%. Em termos globais, o stock de NPL (Non-Performing Loans) reduziu-se em 13,7%, fixando o rácio bruto de NPL em 3,7%, um desempenho significativamente melhor face aos 4,6% registados no ano anterior.
O Crédito Agrícola melhorou a qualidade da carteira em 2025 através do write-off de créditos incobráveis e da recuperação de empréstimos a empresas, conseguindo ainda uma descida relevante na exposição de risco Stage2.
O Grupo CA reforçou significativamente os seus níveis de proteção do crédito malparado, elevando a cobertura de NPL por imparidades para 69,0% (+11,9 p.p. face a 2024). Paralelamente, o grupo reduziu a sua exposição imobiliária em 23% (menos 69,7 milhões de euros), mantendo esta carteira protegida por um nível de imparidades de 56,1%.
O Crédito Agrícola diz que “em cumprimento das regras CRD IV/CRR3, apresenta um nível de solvabilidade, medido pelos rácios common equity tier 1 (CET1) e de fundos próprios totais de 23,0% , um rácio de alavancagem de 9,8%, um rácio de cobertura de liquidez (LCR) de 386,6% e um rácio de financiamento estável (NSFR) de 176,6%, todos acima dos níveis mínimos recomendados ou requeridos. Os rácios mencionados são calculados com base nos critérios CRR3”.
A 31 de dezembro, o Grupo CA detinha 3.389 milhões de euros em instrumentos elegíveis para o rácio MREL, o que lhe permitiu superar confortavelmente as exigências dos supervisores.
Em janeiro de 2026, o Grupo realizou uma emissão de dívida sénior preferencial social de 500 milhões de euros a 5 anos (cupão inicial de 3,250%), com forte procura (mais de 6x oversubscribed) e rating Baa2 pela Moody’s.