Uma rede de investigação liderada pela Universidade de Coimbra criou um conjunto de 44 recomendações que pretendem orientar e apoiar a tomada de decisão de profissionais de saúde e pacientes para que, em conjunto, definam o acompanhamento e o tratamento mais adequados à realidade de cada mulher.
As orientações foram desenvolvidas pela rede Research Innovation and Sustainable Pan-European Network in Peripartum Depression Disorder (Riseup-PPD), financiada pelo COST (European Cooperation in Science and Technology), que apoia redes de investigação e inovação que promovam a cooperação em investigação na Europa. Coordenada pela Universidade de Coimbra, a rede envolve investigadores e profissionais de 31 países, a saber: Albânia, Áustria, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Croácia, Chipre, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Israel, Itália, Letónia, Malta, Países Baixos, Macedónia do Norte, Noruega, Polónia, Portugal, Sérvia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Ucrânia e Reino Unido.
“Para prevenir a depressão perinatal e disponibilizar um diagnóstico atempado seguido de um tratamento adequado, é fundamental ter recomendações para a prática clínica, sobre a prevenção, diagnóstico e diferentes opções de tratamento, baseadas em evidência”, explica a investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e coordenadora da Riseup-PPD, Ana Ganho Ávila.
Atualmente, “muitos países europeus não têm em vigor recomendações para a prática clínica na depressão perinatal; e, nos países onde existem, a baixa qualidade metodológica e as discrepâncias das recomendações podem levar a disparidades e desigualdades no acompanhamento clínico da depressão perinatal”, explica Ana Ganho Ávila.
A gravidez e o primeiro ano após o parto, o denominado período perinatal, são “períodos de mudanças psicológicas, fisiológicas e sociais tremendas na vida das mulheres, e estima-se que uma em cada cinco mulheres possa vir a ter problemas de saúde mental durante este período, sendo a depressão e a ansiedade os problemas mais prevalentes”, salienta a investigadora da Universidade de Coimbra.
As recomendações são direcionadas a profissionais das áreas de psiquiatria, psicologia, enfermagem, obstetrícia ou pediatria que, no contexto profissional, contactam com mulheres e seus parceiros em momentos como o planeamento da maternidade, a gravidez ou o primeiro ano após o nascimento, que podem vir a sofrer de depressão ou que tenham já sintomatologia. “É fundamental que mulheres, seus parceiros e profissionais de saúde tenham conhecimentos sobre a prevenção da saúde mental nesta fase, dado que a depressão perinatal afeta negativamente a mãe e a sua saúde, a saúde e o desenvolvimento do bebé, e afeta ainda laços e relações familiares”, afirma Ana Ganho Ávila.
Este conjunto de recomendações para a prática clínica pode ser adotado por qualquer serviço de saúde sediado nos 31 países que participaram na rede Riseup-PPD.