Boas notícias no sector automóvel e na indústria aeronáutica.
O início da produção do novo modelo da Autoeuropa é uma alteração significativa no modelo de negócio desta empresa do Grupo Volkswagen: passa a produzir um modelo de grande volume de produção, em vez de modelos de nicho, como vinha a fazer desde 1995.
Só por si será um fator determinante para o país atingir um acréscimo do PIB de 3%. Se levarmos em linha de conta que a Autoeuropa poderá manter um objetivo de chegar aos 45% de Valor Acrescentado Nacional por cada veículo fabricado, tal como negociado com o Estado Português nos anos noventa, então o impacto do T-Roc na nossa indústria de componentes será também relevante para a continuação do seu acréscimo de exportações (embora neste caso indiretas).
Acresce ainda que a capacidade nominal de produção – 180.000 viaturas/ano – será largamente ultrapassada, o que se verifica pela primeira vez na atividade da Autoeuropa, com o correspondente acréscimo de mais alguns milhares de postos de trabalho.
O início formal das negociações entre o Governo Português e a Embraer para a aquisição de cinco aeronaves KC-390, com opção para mais uma, vem também abrir uma janela de oportunidade, uma vez que existe a possibilidade de o Kit de combate a fogos florestais ser desenvolvido e produzido em Portugal.
O facto de a nossa engenharia ter já desenvolvido três componentes importantes deste avião, e no qual foram consumidas centenas de milhares de horas/homem, será seguramente um cartão de visita relevante para que seja conseguida esta encomenda por parte da indústria nacional.
De realçar que a engenharia de desenvolvimento e produção deste Kit (nas três unidades que a Embraer possui em Portugal e respetivas cadeias de fornecedores nacionais) seria um justo retorno para os mais de cinquenta milhões de euros investidos pelo Estado Português neste Projeto, e uma contrapartida para o facto de a Embraer previsivelmente vender estas aeronaves sem ter de se sujeitar a um Concurso Público internacional.
Quando o assunto do aumento das exportações é analisado, raramente se explicita do que se está a falar: se são produtos com valor acrescentado nacional adequado (como os 45% desejáveis para a Autoeuropa) ou se de produtos com uma transformação mínima em termos de valor acrescentado (v.g. produtos refinados).
Semelhantemente, deverá ser valorizada a incorporação de tecnologia nacional e o seu posicionamento na cadeia de valor dos produtos exportados.