CK Hutchison recorre a arbitragem contra a Maersk em disputa por portos no Panamá

O Supremo do Panamá anulou, a 30 de janeiro, a concessão atribuída à PPC, o que permitiu ao Estado assumir o controlo dos portos de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico).

CK Hutchison recorre a arbitragem contra a Maersk em disputa por portos no Panamá
Canal Panama

A Panama Ports Company (PPC), do grupo CK Hutchison, iniciou hoje arbitragem internacional contra a Maersk após a assunção do controlo das suas terminais no Panamá e a rutura de um contrato de longo prazo.

“O processo de arbitragem baseia-se num contrato de longo prazo destinado a promover uma abordagem colaborativa de negócio, através da utilização exclusiva das operações dos terminais portuários da PPC no Panamá e do acesso a um conjunto de instalações operacionais e informação da PPC”, indicou a empresa em comunicado.

Segundo a PPC, a Maersk “comprometeu o contrato e alinhou-se com a República do Panamá no âmbito da sua campanha estatal contra a PPC e de um plano para a substituir através de uma intervenção que instalou novos operadores portuários”.

O Supremo do Panamá anulou, a 30 de janeiro, a concessão atribuída à PPC, o que permitiu ao Estado assumir o controlo dos portos de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico).

Nesse contexto, a 23 de fevereiro, a Autoridade Marítima do Panamá (AMP) entregou a operação transitória – por um período até 18 meses – do porto de Balboa à APM Terminals, filial da Maersk, e a do porto de Cristóbal à Terminal Investment Limited (TiL), braço portuário da Mediterranean Shipping Company (MSC).

A empresa sustentou que, nesse mesmo dia 23 de fevereiro, foi afastada das suas operações através de “medidas executivas extremas”, sendo que a concessão do terminal de Balboa foi atribuída a um operador ligado à Maersk, que terá utilizado instalações operacionais e informação da PPC.

A decisão definitiva contra a concessão à PPC, atribuída em 1997 e renovada em 2021, surgiu após anos de denúncias sobre o contrato por alegada lesão ao Estado, muitas delas formalizadas junto das entidades competentes, mas sem sucesso, o que deu origem a acusações de corrupção.

O caso ocorre também num contexto de pressão dos Estados Unidos, que denunciaram uma alegada influência da China no Canal devido à presença da Hutchison em portos próximos, bem como de Pequim, que impediu o conglomerado de Hong Kong de vender a um consórcio liderado pela gestora norte-americana BlackRock cerca de 40 terminais em todo o mundo, incluindo os do Panamá.

A arbitragem, acrescentou o comunicado, decorrerá em Londres e, segundo a empresa, é independente de outras ações judiciais intentadas contra o Estado panamiano, que acusa de adotar uma conduta “anti-contratual e anti-investidor”.

“A PPC defenderá de forma vigorosa as suas reivindicações na arbitragem contra a Maersk e as suas reclamações contra o Panamá, bem como outros direitos e vias de reparação”, lê-se no comunicado.

A PPC e a CK Hutchison anunciaram recentemente que alargaram as suas reivindicações no processo de arbitragem internacional contra o Estado panamiano para mais de 2.000 milhões de dólares (1.700 milhões de euros).

Relacionado

Canal do Panamá entra na ‘economia de mercado dos estreitos’

Canal do Panamá entra na ‘economia de mercado dos estreitos’

As taxas do Canal do Panamá dispararam devido à guerra com o Irão e ao fenómeno atmosférico El Niño (queda do nível de água). Numa economia onde o dinheiro importa, um navio pagou quatro milhões de dólares para ‘furar a fila'. As vias navegáveis tornaram-se definitivamente questões geopolíticas que estão a preocupar vários países e que vão afetar o bolso da grande maioria dos cidadãos.