Chefe da diplomacia dos 27 admite alívio mas fala em imprevisibilidade

“Hoje estamos aqui reunidos para discutir as relações transatlânticas e, embora eu ache que todos estejam aliviados com os recentes anúncios, também vimos que, neste período de um ano, temos de estar preparados para muita imprevisibilidade”, declarou Kaja Kallas.

Chefe da diplomacia dos 27 admite alívio mas fala em imprevisibilidade
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A chefe da diplomacia da UE admitiu hoje alívio no espaço comunitário com o recuo do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre ameaças tarifárias à Europa, destacando, porém, em “muita imprevisibilidade” nas relações transatlânticas.

“Hoje estamos aqui reunidos para discutir as relações transatlânticas e, embora eu ache que todos estejam aliviados com os recentes anúncios, também vimos que, neste período de um ano, temos de estar preparados para muita imprevisibilidade”, declarou Kaja Kallas.

Falando à chegada de uma reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança defendeu que “ainda é preciso discutir os planos [europeus] para diferentes cenários, porque um dia, de uma forma ou de outra, tudo pode mudar”.

“Assim, a palavra para este ano tem sido imprevisibilidade, e é isso que estamos a viver”, adiantou, defendendo “foco” comunitário “onde existem realmente problemas”, como na Ucrânia, que foi invadida pela Rússia em fevereiro de 2022.

Questionada sobre o Conselho da Paz proposto por Donald Trump, Kaja Kallas adiantou que “deve ser limitado” quanto ao assunto (à paz no Médio Oriente) e ao tempo de duração (até 2027), como inicialmente previsto, pelo que só perante tais condições a UE o pode considerar.

Os líderes da UE reúnem-se hoje numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos, entretanto retiradas, de impor tarifas a países que se opõem às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.

No encontro de alto nível, os chefes de Governo e de Estado dos 27 do bloco europeu, incluindo o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, vão tentar enviar um sinal político forte de unidade, sublinhando que a soberania territorial e a lei internacional são princípios fundamentais da política externa da UE, face às intimidações sobre a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.

No passado fim de semana, Trump anunciou tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

Porém, na quarta-feira à noite, Trump recuou, ao anunciar um acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sobre a Gronelândia, e a suspender a ameaça de tarifas.

Ainda assim, será realizada na capital belga a cimeira extraordinária convocada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para debater as tensões transatlânticas.

Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, que possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.

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