Centeno reforça necessidade de estabilidade e prudência na economia nacional

Depois de um esforço "assinalável" que coloca o país numa posição bastante mais confortável para fazer face a crises futuras, o governador do BdP pediu que tal não seja desperdiçado, tal como o salto nas qualificações dos trabalhadores e a vitalidade do mercado laboral.

Centeno reforça necessidade de estabilidade e prudência na economia nacional
Cristina Bernardo

O governador do Banco de Portugal (BdP) sublinhou esta sexta-feira a importância de o país preservar a estabilidade financeira, sob pena de desperdiçar um trabalho árduo dos últimos anos que coloca a economia portuguesa como uma das mais preparadas na zona euro atualmente para acomodar crises futuras.

Na sequência da atualização das projeções macro do banco central, Mário Centeno frisou a evolução favorável das contas públicas nacionais, reforçando os apelos para que esta trajetória se mantenha. Como tal, as palavras de ordem são equilíbrio e prudência, meso no atual contexto de incerteza política interna e geopolítica internacional.

Centeno destacou, por um lado, o “assinalável” esforço da sociedade nacional para reduzir o endividamento, esforço esse que englobou Estado, famílias e empresas. Este é agora “um dos maiores garantes da capacidade que temos de enfrentar desafios” futuros, uma margem que deve ser mantida e canalizada para crescimentos futuros.

Por outro lado, a subida das qualificações foi determinante no comportamento do mercado de trabalho, o principal suporte da atividade nos últimos trimestres, e para o crescimento do potencial da economia. Ainda assim, Portugal não pode arriscar “ser o primeiro país na historia a não aproveitar o salto nas qualificações da sua população para também ter um salto na economia”.

Os rendimentos têm subido em termos reais, um efeito suportado pelo recuo da inflação, mas é fundamental, uma vez mais, manter o “equilíbrio”. No público, os salários são “a despesa mais permanente” em que incorre o Estado, pelo que importa contabilizar impactos futuros da subida da massa salarial; no privado, as subidas salariais resultam sobretudo de mudanças no posto de trabalho, o que tranquiliza o banco central relativamente à dinâmica do mercado.

Centeno destacou que “as pessoas que mudam de emprego têm, em média, um salário 7% superior” ao que registavam logo no primeiro mês a seguir à mudança; um ano depois, o seu salário havia subido, em média, 15%, o que compara com ganhos de 8% para quem permanece na mesma posição.

“Este é um dos indicadores mais importantes para analisarmos a solvência do mercado de trabalho”, sublinhou.

Ainda assim, e sem ver sinais claros de efeitos de segunda ordem na economia nacional, o governador do BdP destacou a importância do crescimento salarial na decisão de cortar taxas.

“Uma das variáveis que pode ajustar para preservar o emprego são os salários e a dinâmica salarial. Este abrandamento salarial é uma condição essencial para que a previsão para a área euro se possa materializar”, argumentou, isto depois de salientar que a economia da moeda única “não cresce há um ano e meio, [mas] continua a criar emprego”, pelo que “alguma coisa tem que ajustar”.

Recorde-se que o Bdp atualizou esta sexta-feira as suas previsões macro, revendo o crescimento este ano para 2%, ou seja, bastante acima dos 1,2% projetados em dezembro. Para 2025, o indicador também sofreu uma ligeira revisão em alta, de 2,2% para 2,3%, e de 2% para 2,2% no ano seguinte. Já a inflação foi cortada este ano de 2,9% para 2,4%, mantendo-se a projeção para 2025. Em 2026, o indicador de preços recua para 1,9%, menos do que os 2% anteriormente estimados.

Ignorando as categorias mais voláteis, ou seja, energia e bens alimentares, a inflação este ano será de 2%, menos do que os 2,3% estimados em dezembro. Contudo, o indicador core sobe nos anos seguintes para 2,2%, acima dos 2,1% projetados anteriormente.

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