CEiiA reforça soberania espacial de Portugal com investimento de 15 milhões

O investimento é realizado no âmbito da agenda mobilizadora Newspace Portugal e corresponde a 15,982 milhões de euros.

CEiiA reforça soberania espacial de Portugal com investimento de 15 milhões
satelite espaço

A Constelação do Atlântico é um projeto âncora do setor espacial português, apoiado pelo PRR no âmbito da Agenda NewSpace Portugal, conduzido sob a liderança estratégica do CEiiA e da Força Aérea Portuguesa e com a participação do CTI Aeroespacial, da N3O e da GEOSAT.

A iniciativa da Constelação do Atlântico surgiu em 2019 e foi estruturada em 3 ciclos de investimento. Os dois primeiros ciclos, de preparação e posicionamento internacional e de reforço e consolidação industrial, destinam-se a capacitar a indústria nacional no domínio do espaço, mediante transferência de conhecimento e desenvolvimento e operação de satélites de elevada complexidade a partir da experiência de parceiros estratégicos de dimensão internacional.

A Constelação do Atlântico está a ser realizada no quadro da Agenda NewSpace Portugal e integra satélites de Observação da Terra de muito alta resolução, óticos e radar (SAR), com o objetivo de posicionar Portugal para o fornecimento global de serviços de observação e de dados para os setores da defesa, segurança e sustentabilidade. Exemplos de aplicações incluem prevenção e gestão de catástrofes, estimação de stocks de carbono, planeamento urbano e reconhecimento e inteligência.

Trata-se de uma iniciativa estratégica a nível ibérico, tendo sido apoiada por ambos os países em Cimeiras Luso-Espanholas recentes e reorientada para o domínio da Defesa na 35.ª Cimeira, realizada em outubro de 2024, em Faro. Este projeto tornou-se, entretanto, uma referência na Europa, sendo apresentado no início de janeiro ao Comissário Europeu da Defesa e do Espaço, Andrius Kubilius, e estando alinhado com requisitos de programas espaciais europeus como o European Resilience from Space (ERS) e o Serviço Governamental de Observação da Terra do Copernicus (EOGS), constitui um contributo nacional decisivo do ponto de vista de soberania e resiliência europeias, num contexto geopolítico dinâmico.

Neste ciclo, a dimensão nacional da Constelação do Atlântico é composta por 12 satélites (9 óticos e 3 radar), podendo ainda crescer até aos 16. A componente ótica será operada pela GEOSAT (operador português de satélites de muito alta resolução) e permite fornecer imagens com diversas características e resoluções que chegam até menos de 50cm por pixel. A Constelação permitirá ainda revisitar, em média, qualquer ponto na superfície terrestre, em menos de 3 horas, possibilitando aplicações em quase tempo real.

A primeira geração de satélites óticos da Constelação (VHR) está atualmente em desenvolvimento, em Portugal, pelo CEiiA e pela N3O (primeiro fabricante nacional de satélites de Observação da Terra de média dimensão). Os satélites radar de 1ª geração estão a cargo do CTI Aeroespacial e da Força Aérea Portuguesa.

Por forma a atingir o objetivo de revisitas inferiores a três horas, tornou-se necessário complementar estes satélites, desenvolvidos em Matosinhos, com satélites adicionais que possam fazer uso de capacidade produtiva adicional à capacidade da N3O que estará preenchida até ao final do PRR, aproveitando, em qualquer caso, o seu desenvolvimento para reforço da transferência de conhecimento e capacitação industrial nacional.

Com estes objetivos, o consórcio, liderado pelo CEiiA, lançou um concurso público internacional para o desenvolvimento e fornecimento de satélites óticos para a segunda geração e alargamento da constelação inicial de quatro satélites. Este procedimento competitivo, transparente e internacional, e adotado de forma voluntária no último trimestre de 2025, envolveu uma equipa técnica altamente especializada que avaliou uma totalidade de 34 propostas, evidenciando o relevo crescente do setor espacial português no quadro europeu e internacional.

Este concurso público internacional teve como um dos vencedores a Satellogic, originando uma parceria que envolve uma componente abrangente e estruturada de transferência de conhecimento e capacitação do consórcio nacional, em linha com os objetivos aprovados de reforço e consolidação industrial. Os dois satélites VHR-light submétricos juntam-se aos satélites VHR de 1ª geração em desenvolvimento em Portugal, ao satélite GeoSat-2 que, estando em órbita, contribui já para a Constelação do Atlântico e ainda a um satélite precursor, atualmente em fase de comissionamento.

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