CDS-PP despede funcionários e pode encerrar instalações

Partido tem rescindido contrato com vários funcionários e está a ponderar encerrar sedes arrendadas ao longo do país. Cortes na subvenção estatal e comparticipações financeiras podem levar dívida dos centristas a aproximar-se dos dois milhões de euros.

CDS-PP despede funcionários e pode encerrar instalações
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O CDS-PP está a alertar as distritais e concelhias para a necessidade de reduzir a despesa corrente e controlar as contas do partido. Em causa está a redução da subvenção estatal e das comparticipações financeiras, a que se junta o saldo negativo nas contas do ano passado. Fonte do partido diz ao JE que as dívidas podem chegar “perto dos dois milhões de euros” este ano, pelo que a direção está a ponderar avançar com o encerramento de sedes alugadas e o despedimento de funcionários.

O JE sabe que nos últimos dias houve rescisões de trabalhadores na sede nacional do CDS-PP – onde também funcionam as estruturas distrital e concelhia de Lisboa – e também no gabinete de apoio ao grupo parlamentar na Assembleia da República, onde os centristas desceram de 18 para apenas cinco deputados. Assessores, secretárias do partido e um motorista com dezenas de anos de trabalho estão de saída, no que alguns dirigentes veem um “ajuste dos custos à nova realidade”. Já os funcionários que se mantiverem em funções, no grupo parlamentar e na sede do partido no Largo do Caldas, sofrerão cortes salariais.

Nas distritais e concelhias há o risco de encerramento de várias sedes, sobretudo aquelas que são arrendadas e que não são usadas frequentemente. A direção do partido está a avaliar os casos em que é possível manter abertas as sedes arrendadas, através de uma solução encontrada junto de dirigentes e militantes que se disponibilizem para contribuir com o pagamento da renda dos espaços. Caso contrário, as sedes que não pertençam ao património do CDS-PP serão as primeiras a serem encerradas.

O líder da distrital do CDS-PP de Lisboa, João Gonçalves Pereira, considera que a “reorganização” de que o partido está a ser alvo é benéfica para equilibrar as contas. “O resultado eleitoral que tivemos obriga a uma redução de gastos e o CDS-PP não se pode endividar mais. É de bom-senso que sejam feitas mudanças”, indica. O mesmo defende o líder da distrital do Porto, Fernando Barbosa, que dá conta de que o partido encerrou recentemente as sedes do CDS-PP em Matosinhos e Valongo, optando por realizar as reuniões dessas concelhias em juntas de freguesias ou auditórios. A reserva de salas de hotéis e restaurantes tem sido outra das opções adotadas pelas concelhias centristas de norte a sul do país.

Contactado pelo JE sobre as contas do partido relativas a este ano, o secretário-geral do partido, Pedro Morais Soares, não quis prestar declarações. No ano passado, o CDS-PP fechou as contas em falência técnica, com um saldo negativo de 456.969,63 euros. O relatório de contas anuais apresentado pelo partido junto da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) revela que os democratas-cristãos terminaram o ano com um passivo de 1.070.433,84 euros, sendo que perto de 500 mil euros correspondiam a financiamento obtido junto de entidades financeiras.

O JE sabe que o partido tem renegociado a dívida com a banca, o que permitiu abater 64.739,86 euros no passivo e obter 18.733,50 euros de resultado positivo, em 2018. Apontado por várias fontes como estando responsável pela renegociação das dívidas do CDS-PP à banca, Manuel Castelo Branco, negou ao JE que tenha qualquer envolvimento nesse dossier, realçando que não o poderia fazer, visto que não pertence à comissão executiva do partido – tendo apenas sido convidado por Assunção Cristas a participar em algumas reuniões, “tal como outras pessoas e como já acontecia no tempo do Paulo Portas”. “Não posso representar o partido junto de credores, não fui mandatado para tal e não estou disponível para isso”, garantiu o gestor, que é membro da comissão política nacional do CDS-PP.

Este ano, as três campanhas eleitorais que decorreram a nível nacional (europeias, regionais da Madeira e legislativas) e os resultados eleitorais aquém do esperado agravaram os prejuízos do partido. Nos três atos eleitorais, os gastos com as campanhas cifraram-se em 1,11 milhões de euros. Só nas legislativas, o CDS-PP gastou 700 mil euros, tendo grande parte dessa quantia sido empregue em estruturas, cartazes e custos operacionais. Com a diminuição da bancada parlamentar a cinco deputados, é esperado que a subvenção estatal que o partido vai receber seja de 490 mil euros, o que não cobre o montante gasto.

Sucessão sem nomes de peso
Entre os candidatos que se perfilam à sucessão da líder demissionária, Assunção Cristas, não falta quem não veja alternativas válidas, destacando o “sectarismo ideológico ou pessoal” e a falta de peso político de figuras como Abel Matos Santos ou do atual presidente da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos, nenhum dos quais se encontra entre os cinco deputados do CDS-PP, ao contrário de João Almeida, que até agora só se comprometeu a apresentar uma moção mas está a congregar apoios na ala “portista”.

Assunção Cristas deve manter-se à frente da liderança do partido até ao congresso nacional, agendado para os dias 25 e 26 de janeiro, em local ainda a definir. A eleição de delegados para o congresso deve acontecer a 30 de novembro e os candidatos à liderança do partido têm até dia 27 de novembro para apresentar as suas moções globais. Até à reunião magna dos centristas, a líder demissionária vai manter-se como deputada na Assembleia da República. A bancada vai contar com Cecília Meireles como líder parlamentar e com a presença de Ana Rita Bessa, Telmo Correia e João Almeida.

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