CCP considera adesão à greve geral “inexpressiva” no comércio e serviços

A CCP considera que a "inexpressividade da adesão no setor empresarial demonstra que trabalhadores não acreditam na greve geral como solução para as questões da Lei laboral".

CCP considera adesão à greve geral “inexpressiva” no comércio e serviços
O novo presidente eleito da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Gustavo Paulo Duarte, durante a cerimónia de comemoração dos 50 anos da CCP, em Lisboa, 29 de abril de 2026. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) considerou esta quarta-feira que a adesão à greve geral nos setores do comércio e dos serviços foi reduzida, defendendo que os trabalhadores demonstraram não ver nesta forma de protesto uma solução para os problemas relacionados com as alterações à legislação laboral.

Em comunicado divulgado em Lisboa, o presidente da CCP, Gustavo Paulo Duarte, afirmou que os dados recolhidos junto das associações representativas do setor revelam uma participação residual dos trabalhadores, sustentando que “os trabalhadores do setor empresarial deram provas de não acreditar na greve geral como solução para nada”. O responsável considerou ainda que a paralisação constituiu um “pseudoacontecimento”, acusando algumas forças políticas de procurarem instrumentalizar os trabalhadores.

A posição da CCP baseia-se numa auscultação realizada junto de 23 associações dos setores do comércio e dos serviços. Segundo a confederação, 20 associações classificaram a adesão como “muito reduzida”, estimando que até 5% das empresas registaram trabalhadores em greve. Duas associações apontaram uma adesão “reduzida”, entre 6% e 10%, enquanto apenas uma referiu uma adesão “elevada”, situada entre 16% e 20%.

O relatório elaborado pela CCP conclui igualmente que o número de empresas com trabalhadores em greve foi muito baixo e que, mesmo nessas situações, a participação dos trabalhadores terá sido limitada. A organização empresarial estima ainda que o impacto económico da greve foi reduzido para a generalidade das empresas dos setores representados. Segundo a confederação, com exceção de algumas áreas, como a restauração e parte dos serviços de transporte, a quebra de atividade registada durante o dia da greve tende a ser compensada nos dias seguintes, através do adiamento de consumo e de operações comerciais.

Perante este cenário, Gustavo Paulo Duarte defendeu que as divergências em torno da legislação laboral devem ser resolvidas através do diálogo e do consenso entre parceiros sociais e forças políticas, apelando à consideração das propostas apresentadas pela CCP no processo de discussão das alterações à lei.

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