Câmara da Ponta do Sol acusa ARM de “atitude criminosa” devido a corte de água sem conhecimento da autarquia

A Câmara da Ponta do Sol acusou a Águas e Resíduos da Madeira (ARM) de ter efetuado corte de água em partes das freguesias dos Canhas e da Ponta do Sol, e em outras zonas ter reduzido o caudal, sem o conhecimento da autarquia, tentando "enganar" a população "passando a ideia de que a falta de água era responsabilidade" do município.

Câmara da Ponta do Sol acusa ARM de “atitude criminosa” devido a corte de água sem conhecimento da autarquia
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A presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, Célia Pessegueiro, acusou a Águas e Resíduos da Madeira (ARM) de “atitude criminosa” devido ao corte de água que efetuou em partes das freguesias dos Canhas e da Ponta do Sol, e em outras zonas ter reduzido o caudal, sem o conhecimento da autarquia, e tentando “enganar” a população “passando a ideia de que a falta de água era responsabilidade” do município.

“Fomos surpreendidos ao descobrir que a 14 de julho de 2023, ao início da noite, a ARM deixou de fornecer água aos reservatórios do Lugar de Baixo e Levada do Poiso e reduziu substancialmente a quantidade fornecida nos restantes reservatórios do Concelho. Fê-lo sem qualquer aviso e há evidências de que começou mais cedo. A título de exemplo, o reservatório do Lugar de Baixo, estando cheio, abastece aquela população durante uma semana”, referiu a presidente da Câmara da Ponta do Sol.

Célia Pessegueiro sublinhou que a 13 de julho, ao final do dia, “quando foi detetada a falta de água nesta zona, e numa tentativa de descobrir se existiam fugas, acabámos por nos deparar com um tanque vazio e no qual não caia um pingo de água. O que significa que a ARM já não fornecia água àquele tanque há vários dias”.

A autarca acrescentou que em “momento algum” a Câmara Municipal da Ponta do Sol “foi informada do fecho de água naquela zona, nem sequer de uma redução de caudal”.

Célia Pessegueiro denunciou ainda outra situação ocorrida nos Canhas.

“Quando há um consumo elevado durante o dia, a tendência é à noite os níveis do reservatório recuperarem. Não foi o que aconteceu. Depois da deteção das primeiras falhas de fornecimento de água (dia 13 de julho), o normal seria que durante a noite a água na rede enchesse os reservatórios em casas particulares, o que também não aconteceu”, afirmou a autarca.

“Este factos provam que o reservatório da Levada do Poiso também foi alvo do corte silencioso de água por parte da ARM. Como consequência destas ações, temos a informação que neste momento há bares e restaurantes encerrados por falta de fornecimento de água”, acusa a presidente da autarquia.

Célia Pessegueiro acrescentou que a autarquia voltou a pedir os caudais de entrada e saída nos Reservatórios que abastecem a Ponta do Sol, mas que a ARM não facultou essa informação.

Face a isto, a autarquia considera que “até prova em contrário”, a ARM “está a tentar passar a responsabilidade da má gestão que faz da água para o concelho da Ponta do Sol”, que a ARM “quis passar para a Ponta do Sol, e só para a Ponta do Sol um problema que tem na galeria das Rabaças, que é explorada pela ARM há décadas” e que “os únicos que sofreram cortes de água foram os Ponta-solenses”.

A presidente da autarquia sublinhou que para minimizar este problema a Câmara da Ponta do Sol decidiu tomar as seguintes medidas: “Fechou os duches das praias; Fechou os sistemas de rega automáticos; Fechou as casas de banho públicas não essenciais; E continua a apelar, com contactos diretos à população, ao consumo de água apenas para o essencial”.

Ponta do Sol considera que ARM foi longe demais

Célia Pessegueiro considerou que desta vez a ARM foi “longe demais”. A autarca acusou a ARM de ter tido uma “atitude criminosa, que configura um caso de justiça”.

A autarca considerou que até prova em contrário, “podem estar em causa crimes como abuso de poder, peculato e chantagem”.

Célia Pessegueiro disse que com esta “ação irresponsável, uma atitude criminosa, colocando em risco a vida e saúde de muitos, colocaram em causa empresas e negócios locais e maltrataram sem nenhuma justificação os Ponta-solenses. Preocuparam-se com o acessório, que continuam sem conseguir explicar, e não com o essencial, a vida dos Ponta-solenses”.

A presidente da Câmara da Ponta do Sol diz que ainda não conhece as medidas que a ARM tomou para “garantir o fornecimento” de água potável às populações.

A autarquia referiu que a maior parte do Concelho da Ponta do Sol é abastecida pela empresa Águas e Resíduos da Madeira (ARM), através da captação da galeria das Rabaças, junto ao Paul da Serra.

“A ARM alertou recentemente, em dois momentos, para aquilo que chamavam de consumos excessivos no tanque das Adegas e no tanque da Levada do Poiso (Lombo do Meio). A Câmara da Ponta do Sol, em ambos os momentos, fez aquilo que sempre faz: foi para o terreno com as suas equipas para detetar fugas/derrames ou roubos que explicassem as alegadas perdas de água. Nestas saídas normalmente são detetados derrames que podiam explicar as alegadas elevadas perdas. Ora, não foram detetadas quaisquer fugas que justificassem esses alertas, o que significa que era um aumento no consumo, que está dentro dos valores do ano de 2019, quando houve um pico de turismo”, disse a autarquia.

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