Burnham promete um plano a 10 anos para resgatar o país

O sexto primeiro-ministro do país em uma década – dois trabalhistas e antes deles quatro conservadores – quer voltar a colocar o país no mapa. Para isso, vai apresentar um plano para uma década – mas que terá de estar a funcionar dentro de três. Entretanto, já falou com Donald Trump.

Burnham promete um plano a 10 anos para resgatar o país
Andy Burnham 2

O novo primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham – que sucedeu a Keir Starmer também como líder do Partido Trabalhista na semana passada – está a escolher a sua equipa e, na sua primeira intervenção como titular do cargo, disse que quer trazer de volta a esperança. A leitura pode ser vista de várias formas: por um lado o relançamento de uma economia depauperada pelos anos do Brexit, que deixou os britânicos mais sozinhos face à Europa e tão sozinhos como estavam antes face aos Estados Unidos; mas também, por outro lado, esperança aos trabalhistas, que sabem que estão bem longe de serem o partido que mais intenções de voto conseguem junto da população. Essa circunstância está nas mãos do populista de extrema-direita Nigel Farage – e isso será sempre – enquanto não mudar – um ‘handicap’ negativo no horizonte imediato de Burnham.

No seu primeiro discurso no cargo — proferido sem anotações ou o tradicional púlpito que os primeiros-ministros novos anteriores usaram — Burnham prometeu agir sobre o custo de vida em poucos dias. Mas também foi mais além: prometeu um plano a 10 anos. Bem antes desse prazo, Burnham enfrentará eleições até agosto de 2029. Ou seja, o plano a 10 anos, seja ele qual for, terá de dar resultado nos próximo três. Burnham disse, citado pela imprensa britânica, que ordenaria imediatamente ordenaria que as autoridades trabalhassem para acabar com a falta de habitação no Reino Unido.

Surpreendentemente, também realizou a sua primeira ligação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – que, no seu primeiro mandato, apoiou ativamente os ‘brexiters’ e depois do referendo esqueceu todas as promessas, nunca tendo estado disponível para conversar sobre o ansiado mas nunca concretizado acordo comercial de largo espectro entre os dois países, que deveria ser a consubstanciação do “relacionamento especial” que, para já, não é mais que uma quimera desejada pelos britânicos e desprezada (Joe Biden incluído) pelos norte-americanos.

Entretanto, apenas algumas horas depois como primeiro-ministro, tratou de escoltar os aliados mais próximos de Starmer para fora do gabinete: a ministra Rachel Reeves, o vice-primeiro-ministro David Lammy, o secretário de negócios Peter Kyle e o procurador-geral Richard Hermer já saíram. O secretário de habitação, Steve Reed, foi o primeiro a sair.

Burnham apresentou algumas das causas que o fazem ‘correr’: reforma do sistema de assistência social — uma tarefa importante que uma série de seus antecessores achou difícil de enfrentar; reforça do sistema nacional de saúde; o aumento do valor abaixo do qual os britânicos não pagam imposto sobre o rendimento; e a flexibilização das regras que limitam a possibilidade de o governo contrair dívida para financiamento (mas numa “abordagem muito prudente”. A acrescentar, o novo primeiro-ministro quer focar-se na reindustrialização e no uso de contratos públicos estratégicos para impulsionar as empresas e indústrias nacionais. E apoia medidas mais rígidas para reduzir a imigração e combater as travessias ilegais de pequenas embarcações no Canal da Mancha, defendendo em simultâneo a criação de vias legais seguras para refugiados legítimos.

 

De regresso a Trump

Ainda no que tem a ver com o presidente dos Estados Unidos, Burnham quer bloquear qualquer tipo de apoio de Washington a Nigel Farage e ‘chamá-lo’ para o seu lado. Assim, usou a sua primeira ligação com Donald Trump para o convidar para Manchester, a cidade onde se deve ser realizado, no próximo ano, a cimeira do G20. Segundo a imprensa britânica, Trump ter-se-á mostrado inclinado a aceitar. Até porque já houve, na ótica do presidente norte-americano, uma primeira indicação de entendimento: Burnham – que nunca escondeu o pouco apreço que tem por Trump – pode vir a estar disponível para aprovar alguns novos projetos de petróleo e gás no Mar do Norte.

Mas há mais mundo para além de Trump. O problema, para Brunham, é que parte substancial desse mundo não faz ideia de quem ele seja. Mas isso é fácil de mudar. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que também já terá falado com Burnham, publicou nas redes sociais que “a base do nosso relacionamento bilateral é mais forte do que nunca, e continuaremos a fortalecermo-nos uns aos outros.”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, disse que espera “trabalhar com vocês para fortalecer a parceria UE-Reino Unido. O chanceler alemão Friedrich Merz elogiou a relação entre “parceiros próximos”. O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou esperança de que “aprofundaremos o nosso relacionamento ao serviço dos nossos povos e dando novo impulso à parceria entre o Reino Unido e a União Europeia”. Líderes australianos, italianos, neerlandeses e canadianos já expressaram os seus votos calorosos. Convém recordar que a cimeira bilateral entre a União Europeia e o Reino Unido agendada para 22 de julho foi adiada – para dar mais tempo a Burnham para se preparar.

 

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