BE acusa Governo de querer dar “jackpot histórico à EDP” e “happy hour” a grandes empresas

"O Governo ainda nem teve tempo de mudar o logótipo aos despachos e já garantiu, numa penada, um ‘jackpot’ histórico à EDP", acusou Mariana Mortágua, na abertura do debate do Programa do XXIV Governo Constitucional, que decorre hoje e quinta-feira no parlamento.

BE acusa Governo de querer dar “jackpot histórico à EDP” e “happy hour” a grandes empresas
Cristina Bernardo

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, acusou hoje o Governo de querer dar um “’jackpot’ histórico à EDP” através da isenção de impostos, com o primeiro-ministro a garantir que o executivo “não é permeável a nenhum interesse”.

“O Governo ainda nem teve tempo de mudar o logótipo aos despachos e já garantiu, numa penada, um ‘jackpot’ histórico à EDP”, acusou Mariana Mortágua, na abertura do debate do Programa do XXIV Governo Constitucional, que decorre hoje e quinta-feira no parlamento.

Na sua intervenção, a deputada bloquista deixou duras críticas à EDP, dizendo que esta é “uma empresa que vive do privilégio e da ligação ao poder político”.

“O PSD pode sair do Governo e entrar o PS, para sair depois. Quem está lá sempre é a EDP. A EDP manda sempre, tem sempre lugar nos gabinetes ou no Conselho de Ministros, está sempre a mandar. E por isso não pagou os impostos pela venda das barragens”, acusou.

Na ótica da deputada bloquista, se as moções de rejeição apresentadas por BE e PCP forem recusadas na sexta-feira, “abre a ‘happy hour’ das grandes empresas”.

O BE apresentou uma moção de rejeição ao programa do executivo minoritário PSD/CDS, à semelhança do PCP, mas os documentos têm chumbo garantido uma vez que o PS já anunciou que vai abster-se.

Na resposta, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, garantiu que o seu executivo “não é permeável a nenhum interesse”.

“O nosso único interesse é o das pessoas. Não é correto nem honesto dizer que a EDP veio para o Governo, não veio a EDP nem outra empresa. No Governo estão pessoas desinteressadas, que largaram as suas vidas profissionais para servir o país”, afirmou.

Relacionado

Montenegro quer “eliminar as desigualdades” na educação e critica antiga governação do PS. “Gavetas estavam cheias de coisas para fazer”

Montenegro quer “eliminar as desigualdades” na educação e critica antiga governação do PS. “Gavetas estavam cheias de coisas para fazer”

Rodolfo Alexandre Reis30 Ago
O primeiro-ministro deixou várias críticas aos oito anos de executivo socialista, salientando que o seu Governo herdou um sistema educacional marcado por "problemas antigos e decisões adiadas", dando como a falta de professores e alunos sem aulas durante longos períodos. "Nos anos que nos antecederam nada disto teve solução, porque é sempre mais fácil deixar tudo como está", afirmou no discurso de encerramento da Universidade de Verão do PSD.
Montenegro encerra Universidade de Verão do PSD com moção à vista para Governo

Montenegro encerra Universidade de Verão do PSD com moção à vista para Governo

A intervenção do presidente do PSD funciona, habitualmente, como a segunda 'rentrée' do partido, depois da Festa do Pontal, no Algarve, na qual anunciou este ano a reentrada do Estado no capital da REN e criticou o que chamou de "censura moderna", lamentado que os portugueses só conheçam as polémicas e incidentes e o mais importante fique "escondido em notas de rodapé".