Bancos expostos ao império em ruínas do magnata do imobiliário Benko

A Bloomberg identificou mais de uma dúzia de bancos e seguradoras com exposição à imobiliária Signa. As instituições expostas enfrentam diferentes graus de risco com base no nível de colaterais e na sua contraparte dentro do grupo de empresas.

Bancos expostos ao império em ruínas do magnata do imobiliário Benko
SIGNA

O desmoronamento do império imobiliário do tycoon austríaco Rene Benko está a deixar os investidores nervosos.

Segundo a Bloomberg, os analistas da CreditSights liderados por Simon Adamson, afirmaram, numa nota de quarta-feira, em Londres, que “está a decorrer a caça aos bancos que têm exposição” à Signa. “Esperamos que uma série de bancos predominantemente austríacos, suíços e alemães estejam envolvidos”, indicam.

A Bloomberg identificou mais de uma dúzia de bancos e seguradoras com exposição à Signa, com base em divulgações públicas, pessoas familiarizadas com o assunto e relatórios dos media. Estes bancos enfrentam diferentes graus de risco com base no nível de garantias e na sua contraparte no grupo de empresas de Benko.

A agência noticia que a instituição de crédito suíça Julius Baer Group registou a maior queda em bolsa em mais de três anos na passada segunda-feira, quando divulgou um aumento das provisões de crédito que, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, estava relacionado com o grupo de empresas Signa de Benko. Os detentores de obrigações contrataram consultores para negociar com a instituição e alguns acionistas exerceram opções de venda de suas participações.

O CEO do banco suíço, Philipp Rickenbacher, citado pela Reuters, diz que “neste momento o foco está em maximizar o valor dos nossos colaterais [que garantem os empréstimos ao grupo Signa]”, sem revelar o nome do cliente a que o Julius Baer está altamente exposto.

A exposição dos bancos e seguradoras ao grupo imobiliário está repartida por uma combinação de tipos de financiamento, incluindo empréstimos, obrigações, direitos de participação nos lucros e outros instrumentos. Os empréstimos são normalmente garantidos por activos imobiliários, enquanto os direitos de participação nos resultados líquidos oferecem pagamentos se os lucros da Signa cumprirem determinados critérios.

A lista não é exaustiva e as empresas, de um modo geral, recusaram-se a comentar, invocando as políticas de confidencialidade dos clientes, refere a Bloomberg.

O grupo Raiffeisen da Áustria tem exposição através de instituições regionais, bem como através do Raiffeisen Bank International, que serve clientes empresariais de maior dimensão, de acordo com fontes da Bloomberg. A maior exposição de clientes do RBI ascende a 755 milhões de euros, de acordo com o diretor de riscos Hannes Moesenbacher, citado pela agência.

O Julius Baer, o segundo maior gestor de fortunas da Suíça, tem cerca de 600 milhões de euros em empréstimos às empresas de Benko, créditos contratados e juros devidos acumulados sobre tais empréstimos, que não foram pagos. A exposição nominal do banco suíço de 606 milhões de francos (627 milhões de euros) “um conglomerado europeu” , em três empréstimos, foi a principal razão pela qual o Baer reservou 70 milhões de francos (79 milhões de dólares) em provisões.

Também foi detectada a exposição  nos bancos públicos alemães (Landesbanken) os principais do país. Segundo a Bloomberg, o banco Helaba tem uma exposição que se situa no meio da faixa dos três dígitos de milhões de euros, enquanto o NordLB está no limite inferior dessa faixa segundo pessoas familiarizadas com o assunto citadas pela agência noticiosa. S

Segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung, o BayernLB também está exposto a um montante de três dígitos de milhões de euros.

O LBBW, outro Landesbank, é o agente de um empréstimo sindicado de vários bancos à Signa Sports United GmbH, segundo a Bloomberg que cita o porta-voz do banco regional, recusando-se a comentar quaisquer eventuais montantes pendentes nos seus registos.

O DZ Bank, a maior cooperativa de crédito da Alemanha, tem em jogo um montante na ordem dos dois dígitos de milhões de euros, segundo a Bloomberg que cita fontes.

O UniCredit SpA concedeu empréstimos para projectos individuais do império do magnata, de acordo com a notícia. O segundo maior banco  italiano é proprietário do Bank Austria no país alpino e do Hypovereinsbank na Alemanha.

As seguradoras também estão expostas. Na Alemanha, a Signal Iduna investiu em vários projectos do rpomotor imobiliário Signa com empréstimos para edifícios em “locais de topo”, segundo um porta-voz, que disse que a dívida está “suficientemente garantida”.

As seguradoras R+V Versicherung e LVM são acionistas da Signa Prime, a maior empresa da divisão imobiliária do grupo Signa.

Na Áustria, a Uniqa afirmou possuir 80 milhões de euros em títulos da Signa, enquanto o Vienna Insurance Group confirmou uma exposição de 50 milhões de euros, avança a Bloomberg.

O vasto grupo imobiliário da Benko está no epicentro da agitação do sector imobiliário comercial europeu, que se debate com o rápido aumento das taxas de juro e com a diminuição da procura de espaços para escritórios na era pós-pandemia. No início deste mês, a Signa revelou que as suas reservas de tesouraria estavam a esgotar-se e nomeou um assessor para a reestruturação.

O gigante do sector imobiliário e retalhista Signa declarou insolvência na quarta-feira, depois de terem falhado as últimas tentativas de obter novos financiamentos, tornando-se a maior vítima até agora do crash imobiliário na Europa.

Controlado pelo magnata austríaco Rene Benko, o grupo é proprietário do edifício Chrysler, em Nova Iorque, bem como de vários projectos e grandes armazéns de alto nível na Alemanha, Áustria e Suíça.

As dívidas da Signa Holding ascendiam a cerca de cinco mil milhões de euros.

A Signa procurava levantar cerca de 500 milhões de euros (545 milhões de dólares) em novos financiamentos para cumprir as obrigações financeiras só este ano, sem sucesso.

Para os potenciais investidores, o risco de um sector em turbulência é agravado pela escassez de informações públicas, segundo a Bloomberg.

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