Os bancos de investimento globais estão otimistas com a evolução do mercado de dívida pública dos países periféricos da Europa, avança Portugal, Espanha. A notícia é avançada pela Bloomberg e tem o sugestivo título: “Periferia da Europa, outrora devastada pela crise, torna-se a queridinha do mercado obrigacionista”.
A mudança é tal que o Commerzbank defende que os antigos rótulos dos países se tornaram obsoletos. Isso significaria o fim não só do “núcleo” e da “periferia”, mas também do crasso acrónimo PIIGS, cunhado durante a crise da dívida que deixou alguns países a precisar de enormes resgates.
De acordo com a Bloomberg, JPMorgan Asset Management investiu na dívida espanhola, juntamente com a Neuberger Berman, onde os gestores de fundos também favorecem Portugal e a Grécia. O Goldman Sachs e o Société Générale também recomendam dívida dos periféricos, estimando que as obrigações de Portugal, Espanha, Itália e Grécia voltem a registar um desempenho superior aos países “core” no próximo ano, uma vez que Alemanha e França estão a registar dificuldades orçamentais.
Agora, são os países da Europa central, Alemanha e França, quem tem de se explicar perante Bruxelas, cada vez mais, por causa das crises orçamentais e dos planos fiscais que estão a ir contra os limites da União Europeia.
A Bloomberg fala “numa notável inversão de papéis em toda a zona euro, pouco mais de uma década depois de uma série de crises orçamentais quase ter quebrado a moeda única”.
Apesar de não se prever uma repetição da turbulência de 2012, o novo panorama já alterou o comportamento dos investidores que têm-se inclinado para as obrigações do Estado dos países periféricos do bloco em detrimento de títulos tradicionalmente mais seguros, contando com melhores retornos à medida que a situação muda.