Audiogest pede estratégia para internacionalização porque um milhão de euros é “claramente insuficiente”

Em comunicado, a Audiogest – Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos saudou a criação daquela linha de apoio, anunciada, na quarta-feira no Porto, pela ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, e a sua articulação com as tutelas da Economia e Negócios Estrangeiros, mas considera o valor insuficiente.

Audiogest pede estratégia para internacionalização porque um milhão de euros é “claramente insuficiente”
ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A associação de gestão de direitos Audiogest considerou hoje “claramente insuficiente” a nova linha de governamental de um milhão de euros, de apoio à internacionalização da cultura portuguesa, e pediu uma estratégia “ampla, sustentada e de médio prazo”.

Em comunicado, a Audiogest – Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos saudou a criação daquela linha de apoio, anunciada, na quarta-feira no Porto, pela ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, e a sua articulação com as tutelas da Economia e Negócios Estrangeiros, mas considera o valor insuficiente.

“Quando distribuído por diversos subsetores da cultura, este montante [de um milhão de euros] é claramente insuficiente para responder à dimensão dos desafios existentes, o que reforça a necessidade de uma estratégia mais ampla, sustentada e de médio prazo”, ressalva a associação.

A Audiogest defende a existência de “um fundo dedicado à internacionalização da música portuguesa”, que resulte de “uma estratégia conjunta, onde ao investimento público se somem outros recursos privados, nomeadamente através de mecanismos de mecenato e de investimento cultural”.

Na quarta-feira, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto anunciou a criação, até ao final do ano, de uma linha de um milhão de euros para apoiar a internacionalização e reforçar a projeção dos agentes nacionais no estrangeiro.

Essa linha de financiamento existirá através do Fundo de Fomento Cultural para “reforçar a capacidade de projeção dos agentes nacionais”.

“A internacionalização é uma afirmação de confiança no talento português e na capacidade criativa do nosso país”, afirmou a ministra, sublinhando que a cultura deve ser um “pilar estratégico da identidade e da projeção externa” de Portugal.

A governante destacou exemplos desta estratégia de diplomacia cultural, como a presença de Portugal nas jornadas do património de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em fevereiro próximo, e a exposição do V Centenário de Camões, na Biblioteca Nacional de Espanha, em outubro.

Margarida Balseiro Lopes anunciou esta linha de apoio durante o Fórum Cultura, no Porto, uma iniciativa do Governo “de escuta e diálogo” e que reuniu vários agentes do setor cultural.

A Audiogest recordou ainda que para este ano tem um orçamento de cerca de 350 mil euros “para várias ações relacionadas com a internacionalização” e já organizou um inquérito junto de produtores musicais, para “identificar necessidades concretas e prioridades reais do setor”.

Relacionado

“Não nos deslumbramos com os números. Este é um ano desafiante”, diz presidente da Entidade Regional do Turismo do Alentejo

“Não nos deslumbramos com os números. Este é um ano desafiante”, diz presidente da Entidade Regional do Turismo do Alentejo

Região observou o maior aumento dos proveitos totais (19,8%) e de aposentos (19,7%) em julho em Portugal Continental e regiões autónomas, mas com uma quebra de turistas norte-americanos que começou no ano passado e que José Santos alerta que está consolidar-se de forma negativa em 2026. "Estamos a procurar identificar e perceber essas causas", refere.
Aguiar-Branco convoca conferência de líderes para 5.ª feira para decidir data da moção de censura do Chega

Aguiar-Branco convoca conferência de líderes para 5.ª feira para decidir data da moção de censura do Chega

“Quero avaliar com os líderes parlamentares a definição da data a partir da qual se devem contar os três dias para efeitos de levar à discussão na Assembleia da República”, afirmou José Pedro Aguiar-Branco, em declarações aos jornalistas nos Açores, uma vez que a moção de censura deu entrada “num período de interrupção dos trabalhos parlamentares”