ASF: Seguradoras devem apostar na poupança para competir com Certificados de Aforro

A presidente da ASF afirma que as seguradoras devem ajustar o seu modelo de negócio no ramo vida, afastando o foco dos seguros ligados a fundos de investimento e apostando em produtos de poupança, nomeadamente para competir com os Certificados de Aforro.

ASF: Seguradoras devem apostar na poupança para competir com Certificados de Aforro
MIGUEL A. LOPES/LUSA

Margarida Corrêa de Aguiar, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), considera que as seguradoras devem rever os seus modelo de negócio no ramo vida, ajustando a sua estratégia ao contexto atual e apostando na diversificação de produtos de poupança, nomeadamente para competir com os Certificados de Aforro.

O sector segurador enfrenta um conjunto de desafios, perante um cenário de inflação elevada, subida das taxas de juro, com impacto na evolução da economia. “O desafio está no realinhamento das estratégias no que se refere ao modelo de negócio do ramo vida que estava muito direcionada para produtos unit linked” num contexto de juros baixos, afirmou na comissão de Orçamento e Finanças, esta quarta-feira.

Os contratos de seguro ligados a fundos de investimento foram penalizados pelas perdas nos mercados financeiros registadas em 2022, “perdendo interesse”, realçou a presidente da ASF, dizendo que o “que se espera das seguradoras” é que haja uma “diversificação da oferta de captação de poupança”.

“Eventualmente produtos que possam garantir capital e sejam apetecíveis face a outras alternativas de poupança que existem no mercado, nomeadamente os Certificados de Aforro”, realçou Margarida Corrêa de Aguiar. Estes produtos de poupança do Estado têm registado uma elevada procura graças à rentabilidade oferecida. A taxa de juro bruta para novas subscrições e capitalizações foi fixada em 3,403% em fevereiro.

Entre outros desafios para o sector, a presidente da ASF apontou ainda a geração de novo negócio pelas empresas de seguros e potencial aumento de resgates em produtos vida de natureza financeira e a potencial redução da capacidade dos associados dos fundos de pensões para efetuar contribuições adicionais para os respetivos planos de pensões.

Outro risco é um aumento dos custos com sinistros dos ramos não vida, pressionando a sua rendibilidade se não acompanhado por medidas de ajuste, nomeadamente um aumento das tarifas ou redução dos custos de estrutura.

Também os seguros de vida associados ao crédito podem vir a sofrer uma quebra, numa altura em que já se regista uma menor procura por empréstimos para a compra de casa. “Se o crédito hipotecários não crescer ou se reduzir – o mesmo em relação ao consumo – tem uma correlação muito estreita com a subscrição desse tipo de seguros”, disse ainda aos deputados.

Quanto ao ramo não vida, a ASF espera que haja um alinhamento com a evolução da economia. “Poderá haver algum abrandamento numa ou outra modalidade, mas o que estamos à espera, e uma vez que há previsões de crescimento económico, que o ramo não vida” acompanhe a economia, para a qual há estimativas de crescimento.

De acordo com dados divulgados pelo regulador, o volume de prémios cifrou-se em 5,7 mil milhões de euros em 2022, menos 23,3% do que em 2021, no ramo vida. Para esta quebra foi determinante o decréscimo dos seguros ligados a fundos de investimento (32,2%). No ramo não vida, o volume de prémios cifrou-se em cerca de 5,2 mil milhões de euros em 2022, mais 7,7% do que em 2021, à boleia do crescimento de todas as principais linhas de negócio, especialmente o ramo doença (11,8%).

Relacionado

ASF estima que 121 mil veículos circulem sem seguro obrigatório em Portugal

ASF estima que 121 mil veículos circulem sem seguro obrigatório em Portugal

Maria Teixeira Alves13 Jul
O FGA registou, até ao início de julho, 2.709 novos processos de sinistros, o que representa um aumento de 15% face ao período homólogo de 2025. Recorde-se que já em 2025, tinha existido um acréscimo de 9% no número de processos, face ao ano anterior, evidenciando uma intensificação sustentada dos acidentes envolvendo veículos que circulam sem seguro obrigatório.