Arménia vai a eleições este domingo, marcadas por intensa campanha de desinformação russa

O partido de Pashinyan, Contrato Cívico, lidera todas as sondagens, apesar de ser criticado pela perda da região de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão e pelho falhanço em desmantelar o sistema oligárquico da Arménia.

Arménia vai a eleições este domingo, marcadas por intensa campanha de desinformação russa
39 Arménia (53)

As urnas abriram hoje na Arménia para as eleições legislativas, marcadas por uma intensa campanha de desinformação atribuída à Rússia, e vistas como um teste à postura pró-europeia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan.

O partido de Pashinyan, Contrato Cívico, lidera todas as sondagens, apesar de ser criticado pela perda da região de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão e pelho falhanço em desmantelar o sistema oligárquico da Arménia.

Um total de 19 partidos e blocos disputam os 101 lugares no parlamento.

O Contrato Cívico enfrenta uma oposição liderada pela coligação Arménia Forte, associada à influência russa nesta antiga república soviética.

No sábado, na véspera das eleições, as autoridades arménias anunciaram a detenção de mais de 40 pessoas suspeitas de compra de votos, ligadas ao Arménia Forte.

Um candidato a deputado, em conluio com um grupo de pessoas, pagou entre 100 mil e 500 mil drams (entre 230 e 1.140 euros) a mais de uma centena de eleitores para que votassem na Arménia Forte, avançou a agência Armenpress.

As forças de segurança continuam a trabalhar para identificar e deter os outros cúmplices do esquema criminoso, bem como os indivíduos que aceitaram os subornos.

Nikol Pashinián apelou na sexta-feira, no comício de encerramento da campanha, à polícia, para que detivesse os políticos que se dedicam a falsificar as eleições através do pagamento de subornos.

O primeiro-ministro acusou a Arménia Forte e outros partidos de trabalharem para potências estrangeiras, numa clara alusão à Rússia.

Segundo meios de comunicação independentes, Moscovo terá investido grandes quantias de dinheiro numa campanha mediática de desprestígio contra Pashinian, o que incluiria o plano de pagar a viagem de avião a milhares de arménios residentes na Rússia para que votassem.

Na sexta-feira à noite, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo pôs ontem em causa a legitimidade das eleições arménias, devido ao que considera ser uma perseguição política dos seus opositores por parte das autoridades.

Vários partidos da oposição arménia, que criticam o Governo pela aproximação à União Europeia (UE) e aos Estados Unidos, têm sido associados ao Kremlin.

A campanha eleitoral foi a mais polarizada dos últimos anos devido às pressões russas, que se opõem à adesão do país à UE, a qual, tal como os Estado Unidos, apoia a reeleição de Pashinian.

Na sexta-feira, a comissão eleitoral arménia rejeitou uma petição para impedir a Arménia Forte de participar nas eleições.

O presidente da Comissão Eleitoral Central da Arménia, Vahagn Hovakimyan, explicou que, após analisar os argumentos apresentados, não encontrou fundamentos legais para cancelar o registo eleitoral da coligação.

O anúncio surgiu após o Ministério Público ter pedido autorização à comissão eleitoral para iniciar processos criminais contra seis candidatos incluídos na lista do Arménia Forte.

Relacionado