António Filipe recusa comentar “correspondência alheia”

“A carta não me é dirigida e eu acho que nós não devemos violar a correspondência alheia. E, portanto, não vou responder a uma carta que não foi dirigida a mim”, afirmou o candidato apoiado pelo PCP e PEV, depois de desafiado a comentar a carta que Cotrim endereçou hoje a Luís Montenegro para que recomende ao PSD o voto na sua candidatura para evitar que André Ventura ou António José Seguro cheguem à Presidência da República.

António Filipe recusa comentar “correspondência alheia”
Tiago Petinga/LUSA

O candidato presidencial António Filipe disse hoje que não se deve “violar a correspondência alheia” e recusou comentar a carta que Cotrim Figueiredo enviou a Luís Montenegro.

“A carta não me é dirigida e eu acho que nós não devemos violar a correspondência alheia. E, portanto, não vou responder a uma carta que não foi dirigida a mim”, afirmou o candidato apoiado pelo PCP e PEV, depois de desafiado a comentar a carta que Cotrim endereçou hoje a Luís Montenegro para que recomende ao PSD o voto na sua candidatura para evitar que André Ventura ou António José Seguro cheguem à Presidência da República.

Apesar da insistência dos jornalistas, António Filipe reforçou que não se considera destinatário dessa carta.

“E, portanto, não estou preocupado com a troca de correspondência que haja entre outros candidatos. Enfim, eles saberão o que responder uns aos outros”, salientou ainda, referindo que as interpretações das razões de Cotrim Figueiredo são “matéria de comentadores”.

O ex-deputado comunista, que falava em Lisboa, depois de um almoço com juristas, reafirmou estar apenas preocupado com a sua campanha, com a afirmação da sua campanha e com a construção de um “bom resultado” para domingo.

Quanto ao regresso do presidente do PSD e primeiro-ministro hoje à campanha de Luís Marques Mendes, disse ser “natural”.

“Assim como o secretário-geral do PCP, que é um dos partidos que me apoia, já participou na minha campanha, dirigentes do Partido Ecologista Os Verdes também já participaram, acho natural que o líder do PSD participe na campanha do doutor Marques Mendes”, afirmou.

Voltando ainda às posições que Cotrim Figueiredo tem assumido durante a campanha, António Filipe reafirmou que “revelam uma grande convergência com a política do Governo”.

“Basta ver, por exemplo, que foi um dos maiores entusiastas da proposta de pacote laboral. Quando ela foi apresentada, disse que aquelas medidas eram necessárias e se fosse o Presidente da República que as promulgava e, portanto, eu creio que faz parte do tal consenso neoliberal de que eu tenho vindo a falar ao longo desta campanha”, salientou.

Para reforçar que considera que não acha “estranho que ele tenha convergido com medidas do Governo”.

“Há uma convergência muito grande de políticas entre aquilo que defende João Cotrim Figueiredo e aquilo que o Governo tem vindo a pôr em prática na governação do país e converge aí com Marques Mendes, com outras candidaturas à direita e até mesmo com candidaturas ao centro”.

Quanto ao resultado esperado no domingo, referiu que “será aquilo que o povo decidir”.

“Aquilo que o povo decidir, obviamente, não vale a pena dizer que eu aceitarei o resultado, é evidente que sim. Mas, enfim, é o veredicto popular e eu estou cá para qualquer que seja o veredicto popular. E no dia a seguir às eleições estarei cá com a mesma determinação como que estou hoje. E, portanto, não mudarei de sítio e não mudarei de convicções nem de determinação”, frisou.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

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