A Bayer tem, desde o final do ano passado, nova morada no World Trade Center Lisboa, em Carnaxide. Os 1250 m2 foram pensados e concebidos para integrar os novos modelos de trabalho e continuar a fortalecer a cultura da centenária farmacêutica germânica, que conta com 156 colaboradores no nosso país.
Maria João Lourenço, diretora de Recursos Humanos da Bayer em Portugal, diz ao Jornal Económico que as capacidades digitais fazem parte do dia-a-dia da farmacêutica desde há muito, mas o modelo híbrido de trabalho acelerou o uso de ferramentas de contacto e de trabalho conjunto. No recrutamento assiste-se a uma verdadeira revolução.
“Apesar de nunca dispensarmos uma entrevista presencial, que consideramos ser um exercício crítico e de descoberta mútua, utilizamos uma solução digital que nos faz uma pré-selecção dos candidatos”, adianta.
Esta ferramenta, que incorpora inteligência artificial, faz a leitura de todos os potenciais candidatos, cruzando a informação do LinkedIn e as necessidades específicas da Bayer. Resultado? Os recrutamentos são “mais ágeis” e com um raio de alcance muito maior, colocando no radar potenciais candidatos não declaradamente presentes no mercado, mas que fazem o match com o que a empresa procura.
“Todos ganhamos com a introdução da inteligência artificial”, afirma. A Bayer ganha com “a celeridade e a qualidade dos perfis identificados” e “os talentos alargam as suas possibilidades, até para desafios que de outra forma seriam difíceis de chegar até si”.
O desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores é uma etapa crítica em qualquer empresa. Na Bayer, uma babel com 99 mil colaboradores, a resposta ao desafio tem o nome de Go/Learn. Uma ferramenta “poderosíssima” e de longo alcance, nas palavras de Maria João Lourenço. “Aoferta de curriculum formativo ligado às áreas de responsabilidade quotidiana de cada um” funciona em associação com “outras soluções de desenvolvimento escolhidas por cada colaborador de acordo com as suas preferências pessoais”.
Trata-se de uma “biblioteca gratuita e quase infinita de conteúdos”, que proporciona acesso a conferências, artigos de revistascomo a Harvard Business Review e e-learnings, em àreas como marketing, comunicação, vendas, inteligência emocional, colaboração, entre muitas outras.
“O mais interessante desta solução digital — salienta a responsável de Recursos Humanos — é que contraria a ideia do one size fits all. Permite à Bayer responder de forma individualizada e holística às necessidades e preferência da empresa e dos colaboradores”.
Na farmacêutica, as interações presenciais não desapareceram, mas as plataformas tecnológicas tornaram-se indispensáveis. Teams e Azzure aproximam os colaboradores e agilizam a monitorização de trabalhos de equipa. Maria João Lourenço contrabalança e aponta para o saldo ganhador: “A digitalização é uma inevitabilidade com benefícios indiscutíveis para os talentos e para a Bayer, devendo ser sempre equilibrada com interacções ou metodologias presenciais que trazem resultados e energias que nos completam a todos”.
GSK um exemplo no género
Na igualdade de género e na inclusão, a Glaxo Smith Kline (GSK) em Portugal é um exemplo: 60% dos cargos executivos são já ocupados por mulheres. A biofarmacêutica orgulha-se igualmente de dar a cada pessoa a liberdade para escolher se trabalha a partir de casa ou no escritório, no âmbito do programa Performance with Choice”.
“Isso é altamente valorizado”, diz Guilherme Monteiro Ferreira, diretor de Acesso ao Mercado e Relações Externas da GSK Portugal, ao Jornal Económico.
O grau de satisfação é avaliado por um survey anual e, também, em diferentes momentos, formais e informais, ao longo do ano. “Algo que nos deixa altamente motivados é saber que 93% dos nossos colaboradores sentem que o seu trabalho tem um propósito especial e que é muito mais do que um emprego”, adianta. Mais. “95% dos meus colegas classificam a GSK como excelente empresa para trabalhar. E mais importante ainda: 97% dos colaboradores têm orgulho em trabalhar nela”.
Não é por acaso que a GSK surge há dois anos consecutivos na lista das dez melhores empresas para trabalhar em Portugal do Great Place to Work Institute. “Colaboradores motivados, felizes e ‘engajados’ com a cultura e propósito da organização, são um elemento crítico para o nosso sucesso”, salienta.
Investir nas capacidades dos profissionais, reconhecer e premiar os bons desempenhos e procurar que continuem a crescer no “mundo GSK”, seja localmente, seja nos países onde a empresa tem presença, são pilares da política de retenção de talento, adianta.
No Arquiparque, em Miraflores, a GSK Portugal conta com cerca de 130 pessoas, uma gota de água no universo dos 90 mil que emprega no mundo. Para apoiar o crescimento e desenvolvimento dos seus colaboradores à escala global, o grupo tem um portal interno de desenvolvimento – Keep Growing Campus – com diversos treinos e programas formativos, em diferentes áreas. Em 2021, os cursos e formações realizadas pelas suas pessoas totalizaram mais de 85 mil.
O grupo também disponibiliza um programa de aperfeiçoamento para lideranças intermédias – First Line Leader Training – que responde a cinco prioridades: tomada de decisões, gestão da mudança, coaching, gestão e persuasão, saúde e bem-estar.
Guilherme Monteiro Ferreira salienta a importância da diversidade, equidade e inclusão como elementos determinantes da cultura empresarial. “Para melhor respondermos às necessidades dos nossos doentes e às expetativas que a sociedade coloca em nós, precisamos apoiar as nossas pessoas em fazer da GSK uma empresa diversa e inclusiva”, conclui.