Amazon sairá “mais forte” deste “momento macroeconómico desafiante”, escreve CEO

Andy Jassy escreveu a sua segunda carta aos acionistas, na qual endereçou o tema da reestruturação na tecnológica, que envolveu mais de 20 mil despedimentos em todo o mundo. Fala em "ventos contrários" no negócio de 'cloud', mas garante que os "melhores dias" estão por chegar.

Amazon sairá “mais forte” deste “momento macroeconómico desafiante”, escreve CEO
Amazon sairá “mais forte” deste “momento macroeconómico desafiante”, escreve CEO

“A mudança está sempre ao virar da esquina”. É esta a principal mensagem que o CEO da Amazon quer passar ao mercado, num momento em que a empresa atravessa uma fase de corte de custos, que envolveu cerca de 27 mil despedimentos, para enfrentar este contexto macroeconómico mais adverso. Na sua segunda carta aos acionistas, Andy Jassy diz que a tecnológica sairá fortalecida deste período.

“Estou otimista de que sairemos deste momento macroeconómico desafiante com uma posição mais forte do que quando entrámos”, escreveu o presidente executivo daquela que é uma das maiores empresas do mundo em valor de mercado.

O CEO da Amazon lembra que o sector, e a empresa em específico, tiveram outros momentos menos auspiciosos, como o crash das dot.com em 2001 e a crise financeira de 2008. No entanto, a Amazon manteve-se a investir em negócios que considerava promissores, como a Amazon Web Services (AWS), a subsidiária de computação na nuvem (cloud computing).

Logo, o grupo Amazon garante que continuará a investir em tecnologias inovadoras, entre os quais a Inteligência Artificial (IA) generativa, a que está por detrás de sistemas famosos como o ChatGPT. Ainda assim, reconhece que, neste momento, a AWS enfrenta “ventos contrários de curto prazo agora”, apesar de ter crescido 29% em 2022 e faturar 62 mil milhões de dólares.

A Amazon está a cortar 9 mil postos de trabalho e despediu mais de 18 mil pessoas entre o final do ano passado e o início de 2023. Já em março confirmou que iria suspender a construção de um complexo imobiliário de escritórios em Washington DC, que funcionará como a segunda sede.

Simultaneamente, fechou um acordo de 3,9 mil milhões de dólares para comprar uma operadora de clínicas de cuidados primários –  One Medical, do grupo 1Life Healthcare – e fazer uma aposta firmada na área da saúde. “Acredito firmemente que os nossos melhores dias estão à nossa frente”, escreveu o CEO na missiva aos acionistas.

Para Andy Jassy, há dois motivos principais para esta crença: embora a empresa tenha um negócio de consumo de cerca de 434 mil milhões de dólares em 2022, a maioria (na ordem dos 80%) da quota de mercado deste segmento no retalho global ainda reside em lojas físicas e o mesmo acontece com as despesas globais com tecnologia, onde a receita da AWS de 80 mil milhões de dólares em 2022 conta com cerca de 90% de despesas tecnológicas ainda on-premise e por para migrar para a cloud. Ou seja, o gestor considera que ainda há uma oportunidade de mercado.

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