O Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve vai dar lugar à Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas, o que constitui um passo de maioridade. A autorização, já assinada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, não foi a única boa notícia que a UAlg recebeu nos últimos meses. O regulador, Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), também acaba de dar luz verde ao programa de doutoramento em investigação clínica apresentado pela instituição, que celebra a primeira década ao serviço do ensino da Medicina.
“Isto vai permitir que mais médicos da região, seja do Hospital de Faro seja do Hospital de Portimão, passem a ter acesso a um programa doutoral no Algarve, fazendo aumentar a ligação entre os hospitais e a universidade”, salienta Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve, ao Jornal Económico.
Há dez anos em “resposta à enorme carência de médicos na região”, o então ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, autorizou a Universidade do Algarve a dar formação em Medicina. Nessa altura, foi criado o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina e lançado o Mestrado Integrado em Medicina (MIM-UAlg). Quem o faz está apto a prosseguir uma carreira médica normal, tal como qualquer formado numa qualquer faculdade de Medicina do país.
“Passaram dez anos desde que o curso nasceu, o que foi um grande desafio para a Universidade do Algarve. O próprio departamento atingiu um estado de desenvolvimento que justifica agora esta alteração interna, que é a sua passagem de departamento a faculdade”, justifica Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve ao Jornal Económico.
Como acontece com as faculdades de Medicina de outras universidades nacionais e com as outras unidades orgânicas da UAlg, a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas vai ter um diretor eleito em vez um presidente de departamento nomeado pelo reitor.
O MIM-UAlg tem a duração de quatro anos e está orientado para estudantes que tenham no mínimo uma licenciatura numa área de conhecimento próxima. Biologia, Bioquímica, Ciências Farmacêuticas, Psicologia Clínica e Enfermagem são formações que abrem as portas à entrada neste curso.
O programa é integralmente em “Problem Based Learning” e comporta o ensino clínico desde o primeiro ano. Embora a maior parte destas características não seja inovadora por si só em Portugal, dado que outras escolas de Medicina as aplicam de uma ou outra forma, a integração de todas elas no mesmo curso torna o MIM da UAlg um caso único no país. Expliquemo-nos. Ao ingressarem no mestrado de Medicina de uma Universidade de Lisboa, Porto ou Coimbra, por exemplo, dois licenciados em Ciências Biomédicas, com o grau obtido em escolas diferentes, poderão não ter o mesmo programa de estudos, isto é as mesmas disciplinas. Na UAlg isso faz a diferença. “Todos os licenciados e os mestres que ingressam neste curso são sujeitos ao mesmo programa de estudos”, salienta Paulo Águas.
Ao curso que arrancou em 2018/2019 candidataram-se 350 pessoas, das quais 270 cumpriam os requisitos básicos de admissão – formação numa área relacionada com Medicina e classificação mínima de 14 valores – o que lhes permitiu disputar as provas de seleção. A primeira fase destas provas consta de testes cognitivos e de língua inglesa, e a seguinte é composta por múltiplas mini-entrevistas, realizadas num formato sui generis. O candidato avança por um corredor com várias salas ao encontro de situações inesperadas, como por exemplo, uma pessoa desesperada porque perdeu o emprego ou alguém que tem um familiar gravemente doente. “O candidato enfrenta várias situações de natureza comportamental. Dentro da sala há uma pessoa que vai interagir com ele e, depois, avalia o seu comportamento”, explica Paulo Águas.
Este ano foram cerca de 100 os candidatos que disputaram a última fase de seleção, de onde saíram os 48 admitidos, segundo dispõe o numerus clausus atual.
O MIM é procurado sobretudo pelas faixas etárias entre os 23/24 anos e os 27/28 – maioritariamente jovens recém-licenciados ou jovens profissionais da área da Saúde.“Quase metade dos nossos estudantes já têm vivências na área da Saúde e um terço são de Enfermagem”, adianta, o reitor.
Paulo Águas destaca ainda os resultados obtidos pelos formandos no Exame Nacional de acesso à especialidade, mais um indicador de aferição da qualidade e inovação do programa. De realçar também o aumento significativo de médicos fixados na região do Algarve após a criação do MIM-UAlg.